Lembrar as “velhas” Peugeot

Parece estar na moda as equipas de ciclismo associarem-se à Fórmula 1. Mais do que esse ilustre desporto automóvel, que não deixa de ver no ciclismo uma oportunidade de desenvolvimento de alguns componentes no campo da aerodinâmica, devemos também ver uma união de esforços entre dois dos mais tradicionais desportos mundiais.

Se a união actual com a indústria automóvel é pautada pela fórmula 1, pela mão da Mclaren e da Mercedes, o certo é que esta conjunção de esforços não é uma novidade. No contexto, entre as ligações históricas dos automóveis às equipas de ciclismo e ao ciclismo, inevitavelmente duas marcas se destacam: a Peugeot e a Renault.

Talvez por também ter sido um grande fabricante de bicicletas a história da Peugeot também se confunde com a do ciclismo. Só com a denominação Peugeot ou com patrocinadores acessórios como a Esso, a Shell, a Dunlop ou a Michelin, a presença da Peugeot no ciclismo vem dos primórdios do século passado, datando de 1901, portanto, antes de existir a Volta a França.
Mas também é nesta Volta a França que a Peugeot deixa a sua marca com 36 participações, 123 vitórias em etapas e nove vitórias finais, com destaques para Lucien Petit Breton e Bernard Thèvenet. Equipas marcadas também pelos sucessos na Vuelta e no Giro, em campeonatos do mundo, Paris-Nice, Dauphiné, Catalunha, em todos os cinco monumentos, fazem da Peugeot uma das marcas/equipas de maior sucesso no ciclismo.
A este impressionante registo de sucessos é preciso juntar algo mais, algo bem mais simbólico do que apenas resultados desportivos. Ver passar uma carrinha Peugeot 504, ou 505, traz-nos imediatamente à memória uma prova de ciclismo. Dizia-se em tempos que ninguém podia ter pretensões a ser ciclista sem andar num veículo destes. Já não será um registo acessível a todos, agora que muitos dos carros do pelotão até já são eléctricos. Mas estas carrinhas Peugeot marcam para sempre uma era no ciclismo.

Às vezes assaltam-me algumas saudades de ouvir na caravana aqueles motores que pareciam sempre em esforço… mas cumpridores. E, numa modalidade que tortura os carros, se fôssemos a contar feitos desses motores e daquelas carrinhas estaríamos aqui até à exaustão.
Luís Gonçalves