UCI : confusão total

As alterações promovidas pela UCI para a época 2020, em relação a equipas e corridas, continuam a suscitar situações curiosas, senão, preocupantes.
Recentemente a Total-Direct Energie, equipa primeira classificada no ranking das equipas continentais profissionais, portanto, no novo modelo, com acesso directo às grandes voltas, parece querer abdicar da sua presença no Giro.

As justificações da equipa andam à volta da falta de plantel que permita enfrentar com a qualidade exigida as clássicas, o Tour e uma participação exigente no calendário nacional francês.

Surgiram no entanto algumas notícias que davam conta de que tinha sido o organizador da prova italiana a sugerir à equipa francesa a não participação no Giro, disponibilizando-se inclusive para cobrir os prejuízos monetários que a equipa tivesse pela não participação, pois permitiria a participação de um mais forte contingente de equipas italianas no Giro, de todas as proteams italianas, duas convidadas e a terceira ocupando a vaga deixada em aberto pela Total.

Sem ser preciso ter uma inteligência acima da média, qualquer pessoa de bom senso sabe que o Giro não pode prescindir de equipas italianas, tal como o Tour nunca pôde prescindir de equipas francesas. Seria colocar em cheque a sustentabilidade do ciclismo nesses países e desvirtuar o que também são as grandes voltas para os nacionais desses países.

Mas toda a situação que aparentemente se criou só nos pode deixar preocupados. Em bom rigor, o organizador do Giro, estaria a pagar à Total para não participar, favorecendo dessa forma as equipas italianas.
Também aqui não sabemos se a UCI no meio dos seus cardápios de regulamentos permitirá que saindo a Total, entre uma equipa por convite do organizador, ou passe a vaga para a proteam que se siga no ranking, no caso, a terceira, que, porventura não se incomodava de ir ao Giro.

No campo exclusivo de suposições, imaginemos que esta terceira equipa se queixa. Que fará a UCI? Mais regulamentos. Que fará o organizador? Diz, afinal não quero essa, se não puder ser italiana, que venha a Total! Que fará uma equipa italiana? Termina. Que fará a Total? como já disse que não tinha plantel, troca o Giro, pelo Tour! Pois!

Já estava à vista de todos que o elaborado e complicado sistema da UCI 2020 é engendrado numa altura de expansão do ciclismo francês. Olha de forma cega e tendenciosa para o que é o ciclismo e tem tudo para correr mal, não só a este nível, mas também ao nível inferior, ao nível das equipas continentais. Quanto a isso os efeitos estão já bem vincados no ciclismo português do próximo ano.
Luís Gonçalves