Aumentam os dias de corrida para as equipas World Tour

Nunca o ciclismo internacional foi tão questionado pelos seus seus principais agentes, como neste final de temporada, sinal de uma maior emancipação de equipas e ciclistas, que mostraram a sua insatisfação pela forma como o ciclismo é conduzido, à margem dos seus interesses privilegiando, em demasia, quem legisla.

O novo escalonamento do ciclismo mundial irá obrigar as equipas World Tour a um apertado calendário que tem vindo sempre a crescer desde 2017, passando de 154 dias para 180, situação que será agravada com a criação do circuito Proseries, criado para aglutinar em especial as provas HC, mas que juntou um número muito superior de competições.

As equipas mostraram também a sua insatisfação pela crescente deficiência em questões de segurança e arbitragem. ” Equipas e corredores agem de forma profissional, Um nível de exigência equivalente seria esperado por parte da UCI.” A desclassificação de Nils Eekhoff foi amplamente criticada e questionada pela AIGCP.

A Velon, uma associação que agrupa algumas das principais equipas do World Tour, tem tido grandes dificuldades para promover o seu circuito Hammer series, avolumadas agora com a facto da UCI ter decidido que os direitos de transmissão de câmaras de filmar nas bicicletas, serão propriedade dos organizadores, numa afronta à Velon a instigadora desta evolução.

A não realização da Volta à Califórnia. conhecida hoje, vem colocar o dedo na ferida, em relação à tão pretendida globalização do ciclismo, com a inclusão de provas de dúbia realização regular no futuro, e que a UCI tem incrementado, em especial no continente asiático, em detrimento de provas com grande tradição na modalidade .

Tal como no artigo de ontem, publicado por JC, sobre este tema, a crescente contestação à gestão do atual presidente da UCI poderá conduzir a um diálogo mais intenso entre as partes e a uma gestão mais partilhada, privilegiando, contudo, sempre os interesses e os monopólios da UCI e das grandes equipas World Tour, em detrimento das restantes equipas, em especial das formações Continentais UCI , cujos benefícios são praticamente nulos, quer em termos de participação num calendário internacional mais abrangente, quer pela ausência de ajudas de custo previstas para as provas em que participam, quer ainda pela ausência na participação em provas de grande interesse desportivo.