Aí vem o ranking para as equipas de clube

No sentido lato da palavra, pelo menos assim o classifica a Wikipédia, ranking ” é uma classificação ordenada de acordo com critérios determinados” , o que pressupõe à partida que os critérios determinados tenham que ser objetivos e estejam de acordo com o a necessidade com que foi criado.

A Federação Portuguesa de Ciclismo está a criar, ou já criou um ranking, de forma a posicionar as duas melhores equipas de clube, classificados em determinado momento da época, para poderem participar num número determinado de provas do calendário nacional, consideradas internacionais, ( provas da escalão 2.1. ou 2.2. ).

Os ranking normalmente tendem a ser seletivos, o que nem sempre é positivo, e por mais bem elaborados que sejam, estão sempre sujeitos a duvidas e a criticas, em relação aos critérios implementados.

Para já, ao colocar apenas duas equipas como as eleitas para poderem participar nas provas atrás referidas, a FPC dando de mão beijada aos organizadores a possibilidade de convidarem apenas duas equipas, rejeitando todas as restantes . Vejamos o caso da Clássica da Arrábida, onde normalmente participavam várias equipas de clube, em 2020 apenas duas terão direito a esse convite.

Uma questão que pode ser levantada, por exemplo, diz respeito à composição das equipas de clube. Será que para o referido ranking, todos os ciclistas de uma equipa pontuarão ? Ou será que o ranking será dirigido às equipas de sub-23, privilegiando os ciclistas sub-23 em detrimento dos de élite ?

Numa política de desenvolvimento desportivo e captação de novos valores para o ciclismo nacional, o ranking deveria contemplar apenas a classificação obtida pelos ciclistas sub-23, até porque estará direcionada para a política apregoada pela FPC, dada a dificuldade de escoamento dos ciclistas oriundos do escalão junior. Com ciclistas elite, as equipas de clube têm mais possibilidades de obtenção de pontos, o que é lógico, como aliás acontece em Espanha, por exemplo, em que poucas equipas de sub-23 existem na realidade.

Por outro lado, como vão ser obtidos os pontos, pela classificação coletiva em cada prova, que dará uma imagem de conjunto mais homógeneo de cada equipa, ou pela classificação individual dos pontos conquistados pelos ciclistas de cada equipa ?

Contudo, o ranking também pode e deveria refletir na sua classificação, regras de melhor estruturação de uma equipa, boa organização administrativa, a imagem dessa formação, e o caráter formativa dessa mesma equipa.

O ranking deverá estar feito, ainda não o vimos esperamos para ver, quanto mais não seja para compreender a sua finalidade e a sua objetividade. Esperemos, pelo menos, que não sirva para, no final de 2020, muitas dessas equipas acharem que não vale a pena o esforço realizado.