Espanha, Itália e França as equipas vão secando, morrendo de sede

Estará o ciclismo mundial em recessão, ou as múltiplas alterações regulamentares impostas pela UCI, têm ocasionado uma crescente diminuição das equipas continentais profissionais ?

De 25 formações em 2018, passou-se para apenas 17 para a próxima temporada, o que indicia a pouca atratividade que o organismo internacional criou para estas formações . Se analisarmos bem o problema, constatamos que as três principais provas mundiais ( Giro-Tour e Vuelta) tem trazido para o ciclismo interno de cada um dos países, um acentuado decréscimo de formações de segunda divisão. Motivo : a sua dificuldade em conseguirem um lugar, na sua maior prova . Espanha, de uma assentada viu duas equipas desaparecer para 2020, face às dificuldades económicas, é certo, mas também, pela falta de garantias que estas formações têm em assegurar um lugar que permita suspirar de alívio os seus patrocinadores.

Para 2020, seria impossível a Vuelta ter três formações espanholas. Mais, para 2020, pelo andar da carruagem nem uma estará presente. Motivo: para um pelotão de 22 equipas, as contas são fáceis de fazer : 20 World Tour e as duas melhores formações de segunda divisão. Ora Espanha não tem capacidade para ter uma equipa entre as duas melhores das dezassete existentes. O mesmo problema se passará em Itália.

Desta forma, o ciclismo caminha num futuro rumo apenas ao World Tour, com este escalão a secar tudo que quer nascer, logo à nascença. Os países tradicionais do ciclismo mundial, com o seu público, patrocinadores, ciclistas e equipas habituados a torcer pelos seus ciclistas terão o seu futuro, cada vez mais incerto, o que já não é o caso dos países que mais recentemente fizeram do ciclismo uma modalidade com mais visibilidade internamente, mas sem grande tradição, como o caso dos países anglófonos, por exemplo, onde a realidade é totalmente distinta, e uma prova de quatro ou cinco dias é suficiente. Veja-se a Austrália, onde a prova mais representativa é o Down Under, com apenas cinco dias.

Itália, Espanha, França são os países com mais dificuldade em formarem equipas de segunda divisão, e cada vez as dificuldades serão maiores. Já no nosso caso, o maior problema não será a falta de equipas internas, mas sim uma prova que, tradicionalmente deveria ter duas semanas, não só para preservar o seu passado, como também, como forma de proporcionar às equipas nacionais uma justificação do investimento dos seus patrocinadores. A Volta é a única prova em que o público aparece aos milhares e a única que gera grandes retornos às equipas.

Como prova internacional, a Volta deveria ser a maior competição para as equipas de 3ª divisão, antecâmara das três grandes provas, com quinze dias de duração e com as melhores formações europeias deste escalão. Talvez desta forma, e com esta justificação, a Volta pudesse regressar às duas semanas e servir como trampolim de ciclistas e equipas para mais altos vôos.

PS já há muito que era conhecida a descida de escalão da W52-FCPorto, só agora tornada pública, De dezasseis ciclistas, os portistas deverão contar com onze a doze ciclistas para 2020, perdendo alguns nomes como César Fonte, por exemplo, com um pé na Efapel. Com um calendário muito reduzido em 2019, os azuis e brancos pouco justificaram o elevado investimento do seu salto ao segundo escalão, um pouco mal gerido e precipitado.

1 comentário a “Espanha, Itália e França as equipas vão secando, morrendo de sede”

  1. Compreendo o que diz este artigo. Está muito bem estruturado. Pelo que dou a mão à palmatória, compreendendo agora que, realmente, talvez seja mesmo melhor a Volta ficar como está.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *