Terá a Volta ficado a ganhar com a sua saída da Pro Series ?

A Volta a Portugal não foi incluída no circuito Pro series, novo escalão que a UCI criou para 2020, promovendo algumas provas a um escalão que, antigamente era catalogado como HC. Com esta alteração, como se calcula, a UCI irá meter ao bolso umas largas centenas de milhares de euros.

Mas será que o ciclismo português ficará prejudicado com esta decisão de afastar a Volta de uma maior projeção internacional. ? Linearmente, as Voltas nacionais, tirando as três grandes competições ( Giro-Tour-Vuelta) incluídas no calendário internacional, pouco beneficiam o ciclismo interno desses países, a não ser o caso de um país que não disponha de uma tradição, nem de equipas locais para comporem um pelotão à base de equipas desse país.

Mesmo olhando para as três grandes provas mundiais, as dificuldades para as equipas de cada um desses países em encontrarem um lugar, no pelotão, tem impedido o seu crescimento , como o caso da Itália e da Espanha. No caso francês, já muitas equipas desapareceram devido ao facto de não terem lugar no Tour, e assistiu-se a um interesse em passar algumas equipas ao patamar World Tour, de forma a assegurar um lugar na grande prova mundial.

Na Colômbia, onde tal como em Portugal, existem um elevado número de equipas continentais UCI de de clube de grande valor, a Federação local marimbou-se para a UCI , retirou a sua prova deste calendário, e tem a quarta prova a nível mundial com maior número de dias de competição.

A Volta a Portugal tem alguma dificuldade em atrair grandes equipas mundiais e porquê ? Primeiro pelo elevado número de dias de prova, que não agrada a ciclistas e equipas. Segundo pelo seu afastamento do centro da Europa, obrigando a grandes deslocações da estrutura de cada equipa. Terceiro, pela dureza e pelo clima da prova. Quarto, pelo elevado índice competitivo da Volta.

O problema da Volta é um pouco o que se passa com a Vuelta. Só que prova espanhola, as equipas World Tour são obrigadas a marcarem presença, contudo, a grande maioria dos ciclistas apresentam-se sem grandes motivações competitivas.

Não pertencendo ao Circuito Pro series, a Volta tem mais a ganhar do que a perder, porque não seria a sua inclusão neste escalão que, por si só, atrairia a Portugal equipas de renome. A prova ficará, pois, mais homogénea e, em termos competitivos, permitirá menos discrepância entre equipas. Na verdade, não se nos afigura justo que, na mesma competição, se possam juntar equipas de 1ª divisão, com orçamentos mínimos de 20 milhões, com outras de 3ª divisão, com orçamentos de 250 mil euros.

Qualquer competição, seja ela qual for está escalonada por divisões, e não é possível, por exemplo, na Liga dos Campeões em futebol, o Louletano participar na prova, dada a desigualdade entre a equipa algarvia e , por exemplo o Barcelona ou o Real Madrid, Ora se admitimos isto no futebol, porque queremos forçar outra medida no ciclismo ?

A Volta a Portugal, pelo seu passado, pelas diferenças com o ciclismo mundial, pela sua tradição, pelo facto de se ter popularizado à custa dos grandes clubes, é essencialmente uma prova nacional, com toda a envolvência do povo português. É, ao cabo e ao resto, a grande festa popular, que conseguiu ao longo de cem anos, conservar a sua aureola, e que tem permitido a muitas gerações de portugueses assistir a um espetáculo desportivo ao vivo. E para eles, os portugueses é que contam.

PSum pouco escondido. André Carvalho terá assinado pela Cofidis e José Azevedo estará com um pé como diretor desportivo da Jumbo. Visma. Para o fim estava guardada a noticia do dia.

1 comentário a “Terá a Volta ficado a ganhar com a sua saída da Pro Series ?”

  1. Nem sei que diga… Num mundo cada vez mais global, “Colombiza-se” a Volta a Portugal. Mas que grande paródia! Parece que regredimos 50 anos em mentalidade. Volta JN, que tanto prestígio deste à nossa corrida-mãe. Agora, estamos entregues a ideias provincianas e retrógadas, que levarão o ciclismo português a descredibilizar-se ainda mais no panorama internacional. Aliás, na Europa, até se deve pensar que o ciclismo luso é feito de equipas amadoras… Tipo Ruanda ou Burkina Faso. Nas outras modalidades, tenta-se fazer figura na Europa, com cada vez melhores resultados. Aqui, nesta “Colômbia 2”, os senhores do ciclismo entretêm-se a gerir a coisa como se isto fosse uma mercearia das antigas… Não acordem, não, que o mundo pula e avança e esta modalidade vai de cavalo para burro. Até o Tour de Provence subiu ao ProSeries… Eles querem lá saber de que equipas são os países! Querem é ver ciclismo a sério, e não este circo patético em que se transformou a Volta, com equipas de bairro e com uma organização que se entretém a fazer crer aos portugueses que temos uma grande corrida… Mas sejamos honestos: a nossa Volta está cada vez mais medíocre e com pelotões ridículos. Não tentem vender gato por lebre ao nosso povo, falando da Volta como uma grande corrida! É apenas uma prova de terceiro mundo, de que ninguém quer saber no mundo inteiro. É que nem na Colômbia ouvem falar dela…

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