Falta de critério

Como em tudo na vida e em qualquer área, existem profissionais bons, outros que não comprometem e outros que são uma nódoa. Estes campeonatos do mundo em Yorkshire têm revelado um péssimo colégio de comissários que, também se nota, alavancado por ideias desorganizadas dos agentes da UCI.

Estradas que não fazem sentido num campeonato do mundo, onde compitem vários escalões com mais ou menos experiência internacional, estreitas e ainda por cima com as ervas das bermas por limpar, tornando ainda mais apertada a liberdade de passagem. Confusões com os horários do pôr do sol, como se não fossem previsíveis “nuvens baixas” no Reino Unido em finais de Setembro. Até em Julho seriam!

Comportamentos demasiadamente amadores que, diga-se, também não têm facilitado a vida ao colégio de comissários. Mas, quanto a este, também não tem estado nada há altura de um campeonato do mundo. Não discutirei a decisão de desqualificação nos Sub-23. O regulamento é claro em relação à situação. Também se dirá que os regulamentos são a parte menos importante de qualquer sistema de normas, portanto, perfeitamente passíveis de flexibilidade.

Talvez dois pontos nos indiquem a incompetência do colégio de comissários. Não ver e avaliar as infracções, no local, onde deveriam estar (sempre no plural porque as decisões são colectivas). As boas práticas dos bons comissários indicam-lhes isso. O problema teria sido sanado pela raiz. E nem era preciso uma punição. Um comissário avisado sabia bem o que fazer na situação. Seria então simples avaliar se o jovem holandês conseguia reintegrar o pelotão com a honestidade exigível.

Segundo ponto. Forte. A cobardia deste colégio de comissários. Medem bicicletas e meias ao milímetro. É o regulamento. O mesmo regulamento que prevê os protocolos climatéricos. O mesmo regulamento que tem uma tecla fundamental na segurança de todos os participantes na prova. O mesmo regulamento que não permite a Campanaerts correr sem a bicicleta (e depois de Froome de forma bem explícita) e o mesmo regulamento que não permitiria que Evenepoel, ostensivamente, até com algum gozo sobre os colégio de comissários, puxasse as meias para cima logo no início do CRI.
O problema maior da desqualificação de Eekhoff, não é a decisão em si, mas a falta de critério.
Luís Gonçalves