Eekhoff foi bem ou mal desclassificado ?

A gerência vitimizada Eekhoff tomará medidas legais contra a decisão da UCI

O Mundial de Yorkshire vai prosseguindo, numa onda de algum caos e muitos casos, talvez demasiados, para um evento desta dimensão. Hoje, na prova de sub-23 o impensável aconteceu: a desqualificação do holandês Nils Eekhoff, o primeiro a cortar a linha de meta, para passada cerca de uma hora seer anunciada a sua desqualificação.

Dizem que os comissários basearam a sua decisão nas imagens de televisão, sonegando, contudo, que as presenciaram ao vivo, no momento da infração, sem terem a coragem de , no momento próprio, poderem ter intervindo, de uma forma ativa .

O holandês foi vitima de uma queda algo violenta, logo no início da prova, a mais de cem kms da linha de chegada e de uma avaria da sua bicicleta, recolando ao pelotão com o apoio do seu carro de apoio e pelas imagens disponibilizadas, sem a ação se prolongar de tal forma, que justificasse uma eliminação. O ciclista seguia praticamente na fila dos carros de apoio, recebeu um bidon, o que não é falta passível de expulsão.

Das imagens o que é mais grave, o que se pode verificar é a falta de fair play dos carros de apoio de outras equipas que cortavam a sequência da fila, o que é , isto sim, passível de ser considerada uma infração, obrigando o ciclista a esforço suplementar. As imagens mostram também o ciclista a receber um bidon, situação que não é interdita, poderá ser considerado um impulso ? O impulso a existir só aconteceu exatamente porque os carro de apoio não cerraram a fila.

Por outro lado, uma queda a mais de 100 kms e a sua recolagem da forma que o fez não teve influência no resultado desportivo da corrida.

Vejamos alguns pontos que podem ser analisados de várias formas , deontológicas, éticas e fair play:

Primeiro, o ciclista ficou para trás por queda e não por insuficiência física.

Segundo, a queda verificou-se a mais de 100 kms, numa altura em que a corrida não estava numa fase decisiva.

Terceiro, pelas imagens que foram visualizadas, o espaço em que o ciclista rolou atrás do carro de apoio não foi suficiente para a sua desclassificação. pelo menos as imagens que foram disponibilizadas.

Quarto, o ciclista recebe um bidon do seu carro, devido ao facto de propositadamente ou não, a fila dos carros de apoio não estar compacta, como deveria estar conforme preconiza o regulamento.

Quinto, erro grave dos comissários que, sendo os mesmos que julgaram o caso no final, a desclassificar o atleta, este deveria ter sido eliminado na altura.

Sexto, poderão os comissários refutar o ponto anterior, invocando que nenhum comissário presenciou a pretensa falta. Então, pergunta-se qual a sua posição na corrida, o que pode ser considerado um erro grave, se ninguém viu in loco os factos.

Sétimo, tal como em outras situações do género, deverá ser questionado o seguinte: se o ciclista não caísse onde seguiria. Pela decisão do júri, o atleta acabou por ser prejudicado duas vezes: uma por queda e, como se não fosse uma contrariedade grande, acabaria por ser penalizado duplamente, ao ser desclassificado.

Foi pena que este tipo de casos não possam ser resolvidos à lupa do fair play, que tanto ciclistas equipas e… comissários deverão aprender a utilizar.

Em ultima instância e para um mau comissário, naturalmente estará sempre as normas regulamentares, que não devem ser estanques, mas sim flexíveis, assegurando sempre a verdade desportiva. O problema do ciclismo é sempre o mesmo, as decisões são tomadas, não pelo lado da verdade desportiva, da ética ou do fair play, mas sim da imagem do ciclismo.

As imagens em que os comissários se basearam para a desclassificação:

1 comentário a “Eekhoff foi bem ou mal desclassificado ?”

  1. A desclassificação do ciclista holandês foi, em minha opinião, pura e simplesmente uma decisão política. Tinha a UCI, com a maior das vontades, de dar uma medalha a um inglês, que por sinal também cometeu infrações.

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