Por isso é que Nibali é um Tubarão, e Wout Poels… nunca passará de carapau

Nesta coisa das tácticas, em qualquer desporto, fica-nos para apreciação o que conseguimos ver na televisão ou ao vivo. Às vezes, nos descontos de tempo pedidos em determinadas modalidades podemos ter acesso a algumas indicações, mas nunca ao grosso das indicações, aos discursos de moralização ou, mais interessante, ao que cada atleta diz, ou pensa, do colega de equipa, à atenção que presta ao treinador e ao que cumprirá ou não dessas ideias tácticas.


Há uns anos, num programa de televisão, Carlos Brito, então treinador de futebol do Boavista, deu uma resposta simples ao comentador Luis Freitas Lobo, à conta dessas manobras tácticas do Boavista que eram apreciadas pelo comentador num painel electrónico, com camisolas axadrezadas, linhas, e desenhos de evolução da equipa (das camisolas…) em campo. Depois da lição disse então Carlos Brito: “Tudo interessante, mas o problema é que os jogadores no campo mexem-se e às vezes, pelas mais variadas razões, não se mexem como nós lhes pedimos.

Falando de ciclismo, e da Vuelta, podemos especular o que quisermos sobre a Movistar. Interessante, interessante, era estar dentro da estrutura. Mas de fora, já não sabemos quem é o líder ou quem é o treinador. As inimizades parecem profundas. Também não sabemos que indicações são dadas nas reuniões de equipa e de que forma são avaliadas e cumpridas pelos ciclistas. Com esses dados, desconfio que porventura ainda acharia-mos a estrutura mais desorganizada, porque, uma coisa é certa, bem, não está e não é de agora.

Valverde é, há anos, o principal activo da equipa. Mas também é accionista da estrutura que serve de base à Movistar e que já foi a base de tantos patrocinadores. Sou um fã incondicional de Valverde, mas aquele amadorismo revelado na etapa de Andorra, penso que terá muito pouco de ingénuo. Isso é algo que Valverde nunca foi. Não é bonito, mas talvez todas as circunstâncias de convivência entre alguns elementos da equipa tenham definitivamente chegado a um indiferente ponto sem retorno.

O que é irresistível a qualquer táctica foi o que sucedeu à Education First. Praticamente num dia, três homens importantes, de fora, vítimas de queda e qualquer pretensão à geral sofre um rude golpe.

Mas, pegando ainda na expressão de Carlos Brito, quem se tem mexido pouco, na estrada, porque em exigências continuam iguais a si mesmos, são os homens da Ineos. David de la Cruz, é o melhor a mais de 34 minutos de Quintana, na quadragésima posição. A ideia táctica que a Ineos tem passado é a do tudo ao molho e nem é preciso ter fé em Deus. Talvez seja a ideia do acerto de contas com alguns ciclistas. Vais de castigo à Volta à Espanha! Mas a Volta a Espanha não merece isso. Deverá isto pôr-nos a pensar seriamente no mercado de contratações que começa cada vez mais cedo, por imposição da UCI, à conta das inscrições das equipas nesta estrutura internacional.

Naturalmente que aqui os ciclistas também devem ponderar os seus actos. Um ciclista da Ineos, não pode ir de “férias” para lado nenhum. Para além de ficar mal, põem-se a jeito para um sem número de outras ideias. Não é de vitórias que se trata mas de brio profissional e respeito pela competição.
Ponham os olhos em Vincenzo Nibali. Terá ido com algum desagrado ao Tour, não estava na sua melhor forma depois do Giro, mas lutou vários dias por o que estava ao seu alcance, uma etapa. E conseguiu.
Por isso é que Nibali é um Tubarão, e Wout Poels, nunca passará de carapau.
Luís Gonçalves