Terão os jovens talentos uma carreira de longevidade no ciclismo atual ?

Nunca no passado, o ciclismo mundial teve numa temporada, uma série tão grande de triunfos, em provas do calendário World Tour, ou mesmo outras competições de grande prestígio, obtidas por jovens ciclistas, muitos deles ainda sub-23, o que faz acreditar no futuro da modalidade, e simultaneamente na sua credibilidade.

Egan Bernal venceu o Tour com 22 anos, Pogacar, aos 20 anos, é um dos mais talentosos ciclistas, vencedor da Volta ao Algarve e Califórnia, Remco Evenepoel , com 19 anos, triunfou entre outras provas, na Clássica de S. Sebastian , isto sem esquecer os excelentes resultados de dois transfugas do ciclocrosse Mathieu van der Poel e Wout Van Aert ambos com 24 anos.

A nova geração de ciclistas começa cedo,e com resultados, sinal evidente de um início de carreira fulgurante, alicerçado, naturalmente, em casos únicos de deteção de talentos, de atletas com condições físicas anormais, de um programa alicerçado numa preparação prematura, orientada para a obtenção de resultados imediatos.

Estamos, pois, em presença de uma nova realidade, só possível mediante a conjugação de todos os factores atrás mencionados, aos quais se acrescentam, por exemplo, um calendário de provas internacionais a iniciar, logo no escalão júnior, um programa de treinos exigente, e equipas preparadas para corresponder em todos os domínios, proporcionando contactos internacionais vários.

Esta nova visão do ciclismo internacional , e ainda não temos dados que nos permitam concluir, qual será a longevidade de uma carreira ciclista de um jovem, por exemplo, como Evenepoel, Pogacar, etc, será positiva no futuro ?Será que conseguirão conjugar, as suas aptidões físicas, bem mais aptas com a sua idade do que, por exemplo, Vincenzo Nibali , de forma a obter os mesmos resultados do italiano aos 34 anos ?

Esta a grande questão que se coloca de momento. Qual será a longevidade de uma carreira fulgurante, como a dos jovens ciclistas dos tempos modernos ?

Conseguirão estes talentos disfarçar , aos trinta e poucos anos, com a capacidade de sofrimento que foram adquirindo ao longo dos tempos, as suas insuficiências físicas desta altura ? Alguns pontos serão, contudo, difíceis de ultrapassar, e os principais são os resultantes do desgaste emocional, do stress, das rotinas, do afastamento da vida social, pontos do domínio psicológico, e que serão fundamentais ao longo de uma carreira.

Para o ciclismo, a proliferação de muitos nomes, como está a suceder nos tempos atuais, se bem que possa redundar numa maior divisão dos vencedores, tem como contrariedade, aquilo que no passado tanto caraterizou a modalidade: os grandes ídolos que, cada vez são em menor número. O tempo de Coppi, Merckx, Hinault, Armstrong, etc que marcaram gerações e perpetuaram nomes irão desaparecer da cena, para dar origem a uma série de ciclistas, que muito dificilmente se perpetuarão na nossa memória futura.