Mortágua um oásis num deserto que percorre o interior do país

O café era apertado, mal cabiam as quatro mesas ainda vazias de clientes, e a conversa convergia para a animação que Mortágua passava, neste período festivo, no qual se inclui muito naturalmente o ciclismo, com a sua clássica, já na 19ª edição . Percebia-se que as pessoas gostavam do seu Presidente, queixando-se apenas do barulho noturno, madrugada fora.

Numa Câmara ampla e aberta para o ciclismo, os preparativos para a corrida começaram cedo, e o presidente José Júlio Norte tecia rasgados elogios à atuação da ” sua equipa” na Volta a Portiugal, endereçando os parabéns a Pedro Silva, o mentor do projeto, já lá vão perto de vinte anos.

O público é fiel, mas não é muito. Vem alguma gente de fora, normalmente país de ciclistas, amigos, que ajudam a compor a moldura humana, numa região onde a demografia necessitava de ser ajustada às necessidades locais e onde faltam jovens.

Atenta à realidade desportiva local, o atual Executivo tem apoiado o ciclismo, como modalidade prioritária, contribuindo para a ” nacionalização” da região, que é dada a conhecer a todo o país, com maior incidência na Volta a Portugal . Num interior demasiado isolado e abandonado pelo poder central, a equipa da Mortágua- Miranda tem sido um oásis num deserto, onde o desporto definha a passos largos, primeiro por falta de jovens para o praticar, segundo por falta de técnicos, terceiro por falta de instalações. Faltam equipas como esta noutras regiões do interior do nosso país, para que o ciclismo floresça e contribua para alegria das suas populações.