Breve cronologia dos momentos da Volta

Foi uma Volta diferente. Primeiro pelo ambiente, numa grande ligação com o público, com uma primeira enchente em Santo António dos Cavaleiros, e depois sempre com casa cheia. Esta terá sido a Volta mais bem sucedida neste capítulo.

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As molduras humanas foram uma constante ao longo da Volta.

E foi precisamente em Loures que surgiram os primeiros problemas, com uma chegada de 4ª categoria, evitável a contagem, o que permitiria que uma queda, não arrumasse alguns ciclistas da luta pela geral, logo ao começar a prova. A fava saiu a Frederico Figueiredo que perdeu cerca de 50 segundos e que o afastaram, desde logo, por um lugar cimeiro.

Depois, logo ao quarto dia, e porque o traçado da prova talvez assim o exigisse, veio a etapa da Torre, demasiado cedo para provocar grandes alterações. Primeiro, porque muitos ciclistas ainda não tinham grandes desgastes, o que lhes facilitou a vida, segundo porque ninguém quis arriscar tão cedo. A etapa passou em claro, nem os ténues ataques de Luis Fernandes ou de David Rodrigues , foram motivos para grandes problemas.

Numa classificação por pontos bastante controversa, Daniel Mestre tinha assegurado logo o triunfo na geral por pontos, na chegada a Castelo Branco.

Em Bragança, Pinto da Costa chegava à terra nordestina vindo diretamente da Rússia, mostrando à concorrência como se comanda um clube.

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Pinto da Costa não faltou na chegada ao Porto.

Os dois pontos altos da Volta que faltavam, eram o Larouco, onde Brandão ganhou tempo e serviu para ” moralizar”, e muitos pensaram que era o motor de arranque para o homem da Efapel atacar o resto da Volta, sempre na ofensiva. Foi aqui que Luis Gomes ganharia a montanha, e foi também aqui que Gustavo Veloso começou a perder as chances de poder discutir o primeiro lugar. Responsável pela ousadia , o Louletano que imprimiu um forte andamento em Boticas, mas que não teve continuidade em Montalegre. Vicente Mateo deu sinais de grande fragilidade, já nesta difícil subida. De amarelo, Joni Brandão respirava fundo, e tudo estava a correr sobre rodas.

Numa etapa quase de transição, a W52 FC Porto começou a desgastar a Efapel, com um ataque de Ricardo Mestre, na ligação entre Viana do Castelo e Felgueiras, onde a RP-Boavista estragava a festa ao patrocinador da equipa, a W52 sediada nesta cidade. Benta foi mais forte que a concorrência e dava à RP-Boavista o segundo triunfo seguido.

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Uma jornada louca para Carvalho.

Para a Senhora da Graça, ficará para narrativa futura, a epopeia de António Carvalho. O portista estava endiabrado, atacou cedo e nunca mais parou. Reduziu a cacos a Efapel, mas os restantes colegas de equipa do ciclista portista não aproveitaram a onda e ficaram-se pelas intenções. No alto da Senhora da Graça, a história do costume, com Rodrigues a tornear a contenda, de forma a não prejudicar o seu colega de equipa, que seguia a metros à sua frente. Brandão ficava para trás de Rodrigues, o portista saía moralizado para o C/RI, ao contrário de Gustavo Veloso que perdia definitivamente quaisquer chances de vencer. O antigo vencedor da Volta a Portugal ficou certamente aborrecido com a falta de apoio naquele momento.

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Brandão e Rodrigues fizeram o impossível: partiram para a ultima etapa com mesmo tempo.

E veio o C/RI. Um sucesso popular, mas muito pouco carateristico de uma prova deste tipo. Curiosamente, e num percurso que se encaixava mais no perfil de João Rodrigues, Joni Brandão viria a perder no seu terreno. Entrando na avenida da Republica em Gaia, com três segundos de vantagem sobre João Rodrigues, viria a passar no alto da Santo Ovídio, no local de viragem para descida, com 19 segundos de atraso, perdendo no total 22 segundos, num troço sempre a subir. Terá partido demasiado rápido o ciclista da Efapel e ficado num estado de anaerobiose que o impossibilitou de desenvolver a sua bicicleta com mais facilidade ?

Foi, pois, em Gaia que a vitória ficava decidida. Felizmente que o triunfo de Rodrigues não se saldou em menos de dez segundos, quando não a derrota teria sido dramaticamente injusta para Brandão.

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O FC Porto venceria por equipas.

Lutando com armas diferentes no C/RI, a RP-Boavista perdia para o FC Porto o triunfo coletivo e, de repente, tudo acabava. O Sporting despedia-se em definitivo da Volta e do ciclismo.

Frederico foi dos mais azarados na Volta, acabando por desistir com fratura do rádio.

No lote de ciclistas azarados, os sportinguistas foram, na verdade, os mais bafejados com o infortúnio. Primeiro pelos constantes problemas de avarias e quedas de Frederico Figueiredo, depois pelo azar de Marque a poucos kms de entrar na subida para a Torre. Os dois principais homens da equipa ficavam arredados dos primeiros lugares. Também o Vito-Feirense perdeu Jesus del Pino, o único da equipa que poderia lutar por um lugar entre os dez primeiros. O valenciano teve ainda o azar de cair na penúltima etapa, dando uma lição de bravura, ao continuar em prova. Um azar que vitimaria Unai Quadrado, da Euskadi, que foi obrigado a desistir quando envergava a camisola da Juventude.

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Mateo era a grande aposta do Louletano para a Volta e um dos grandes favoritos ao triunfo final, acabando por desistir com problemas de saúde.

Algo despercebida, saiu da Volta a equipa do Louletano, ao assumir o risco de apostar num só homem, viria a perder tudo, quando Vicente de Mateo abandonou em Celorico de Basto. Ainda tentou algo com Luis Fernandes – saiu do top ten, devido a uma avaria num troço de paralelo na Lixa.

Em termos de revelações, pouco para dizer, numa geração onde ainda não se vislumbrar grandes campeões, e numa classificação do Prémio Juventude algo redutora, limitada apenas sub-23, que Emanuel Duarte da La-Alumínios venceria, com alguma felicidade.

Quanto aos estrangeiros, valeram pelos triunfos de etapa, em especial da Amore e Vita, equipa sempre muito combativa. As restantes passaram ao lado das grandes decisões.

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