Quem diria que no ciclismo não há empates – duelo final inédito

A imagem pode conter: 2 pessoas, ar livre

Os paralelos não se levantaram, mas por pouco, tal o ritmo imprimido na etapa de hoje, que ligou Fafe à Senhora da Graça, contudo, e apesar de ser considerada a tirada mais difícil da prova, as alterações foram mínimas.

Para a história futura do ciclismo nacional, ficará na memória, um facto que consideramos inédito, na nossa Volta e numa prova com a projeção da nossa corrida: dois corredores vão partir para a derradeira etapa, da mesma forma com que a começaram: com o mesmo tempo.

A luta será de titãs, e na qual nos atrevemos a considerar que três ciclistas podem ser os candidatos ao triunfo : João Rodrigues, Gustavo Veloso e Joni Brandão. Num percurso mais a jeito de Rodrigues e Brandão, o espanhol do FC Porto tem ainda uma palavra importante a dizer, muito embora o percurso não seja muito do seu agrado, ou melhor às suas caraterísticas.

O que ficou da etapa de hoje : o triunfo valente de António Carvalho, nunca parou e é preciso mesmo “tê-los no sítio” pese a redundância do termo, para chegar ao alto final mais apetecido desta Volta em primeiro lugar. Pelo meio, ficaram as ténues esperanças de vermos um FC Porto mais ousado, sem um ataque sério, mesmo depois de “despenteada” a equipa da Efapel. Atacou apenas com Carvalho, esperava-se uma ponte a qualquer altura, e a Efapel nem precisou das ajudas do Sporting, para tentar vencer uma etapa com Frederico Oliveira, ou da RP-Boavista para tentar defender o seu lugar coletivo. Os ataques foram nulos , algumas tentativas de Edgar Pinto sem convicção, e o risco foi enorme . Valeu na circunstancia o querer de João Rodrigues para aguentar com Joni Brandão, que conseguiu , contudo, afastar ainda mais aquele que ele considerava ser o seu mais sério rival: Gustavo Veloso, por força e obra do C/R final, onde o espanhol é exímio. Feitas as contas, não sabemos bem quem saiu a ganhar da contenda.

Quem perdeu e deixou ficar pelo caminho as suas esperanças foi , Vicente Garcia de Mateo que abandonaria logo à saída de Celorico, o mesmo sucedendo ao seu équipier número um Oscar Hernandez.

Ao longo da etapa, algumas quedas, uma muito violenta na descida do Viso, rumo a Celorico do Basto, que envolveu perto de 15 ciclistas e atirou para o hospital com alguns ciclistas, entre eles o portador da camisola da Juventude, que se viu obrigado a abandonar, e que deixou Jesus del Pino em muito mau estado, mas que acabaria por terminar a etapa, num rasgo de tenacidade e heroísmo.

Dois vencedores estão certos, Luis Gomes da RP-Boavista na Montanha, e Daniel Mestre da W52 FC Porto por pontos, faltando decidir a Juventude o vencedor final individual e coletivo . Quem diria que no ciclismo não há empates ?