Às voltas com a Volta

Foi morna esta primeira fase da Volta a Portugal. O domínio esperado da W52-FCPorto, com os ciclistas esperados, embora a Volta de Gustavo Veloso, até ao momento, talvez fosse menos esperada. Afinal, era suplente, à entrada da competição. Mas também não deixa de ser, nesta Volta, o ciclista com mais provas dadas, nomeadamente na Volta a Portugal.

Domínio azul e branco que tem tido pouca contrariedade. Não tem faltado alguma vontade a Louletano e à RP-Boavista, talvez as equipas que mais fizeram até ao momento para tentar quebrar a hegemonia ao FCPorto. Na serra da Estrela, porventura o Louletano pudesse ter tentado de outra maneira. Discutir a Torre ao sprint, com tanta gente, é algo que não se vê muitas vezes. Bem demonstrativo do ritmo de subida. Verdadeiramente, ninguém pôs Veloso em questão e porventura não terão descartado Joni Brandão.

É um ciclista que me agrada, ele sabe, mas continuo sem perceber o calculismo infértil do Frederico Figueiredo. Não estou nas pernas do ciclista, mas naquele grupo, naquelas circunstâncias de corrida, para um trepador, na serra da Estrela, não tentar a sua sorte parece-me pouco. Ser ele a responder a alguns ataques, pior ainda. É ainda assim o melhor homem de um Sporting-Tavira, até ao momento, desorganizado.

Como de costume, sempre temos uma equipa estrangeira que açambarca uma ou duas etapas. Neste contexto, os italianos aparecem normalmente na “pole-position”. Mas também como de costume temos algumas equipas estrangeiras que não dão sequer para o aquecimento. Oscar Sevilla e Brice Feillu, dois veteranos, fazem jus às suas carreiras.

Uma Volta em que a preocupação ambiental é cada vez mais visível, aliás, questão transversal à modalidade nos tempos que correm. Neste tempo de preocupação ambiental, não deixa de ser curioso reparar que os pelotões provocam cada vez mais lixo, também porque têm cada vez mais acesso a coisas diferentes. Longe vão os tempos em que só existiam bananas, marmelada e pouco mais e, um bidon de água dava para toda a Volta a Portugal. Um antigo ciclista (Celestino Oliveira) contava-me uma vez que numa das Voltas a Portugal em que participou, ali pela zona de Albergaria-a-Velha, portanto não muito longe da sua terra, viu dois ciclistas da estrangeira Flandria a atirarem bidons“de categoria” para a berma da estrada. Fixou o sítio e, no final da Volta, num treino, passou por lá, parou, procurou e levou para casa dois ou três bidons “de categoria”, bem melhores do que os do Sangalhos.

Gosto de ouvir o João Rodrigues a falar. Cada vez mais se afasta o paradigma (muitas vezes falso) do desportista que não sabe falar ou se expressa mal. Pode parecer indiferente, mas numa modalidade que normalmente não é muito bem vista pelas “elites” (ou os que têm a mania que são!) é importante termos gente que se expresse cada vez melhor.

A importância social e mediática da Volta tem estado vincada na estrada. Não só com o visível público, mas também pela presença de alguns protestantes que têm feito questão de reivindicar os seus 9 anos 4 meses e dois dias (julgo). Pena é que estes só apreçam pelo ciclismo quando conseguem mediatismo para a sua causa. Não gosto disso.

Palavras finais para a Volta a Portugal de Cadetes que terminou Domingo, em Ourém. Venceu Lucas Lopes, mas não será esse o meu destaque. Tantas vezes se critica os comissários, nomeadamente a comissária presidente desta Volta de Cadetes, mas também devo elogiar quando considero necessário. Uma ou outra questão com algumas divergências, mas no geral a arbitragem foi positivamente coincidente com o que deve ser requerido para este escalão.
Quanto ao demais, olhemos com atenção para o que resta da Volta e aproveitemos a festa.
Luís Gonçalves