Profissionalismo nacional mais forte ?

Sem qualquer margem para dúvidas, a Volta a Portugal constitui para o ciclismo nacional a sua única razão de existir, pelo menos para o chamado ciclismo profissional, no nosso país.

Um profissionalismo que lentamente vai ganhando força, em especial no seio das equipas, e que tem acompanhado o crescimento económico que o país parece atravessar . Vivendo unicamente da publicidade, as equipas vão recuperando apoios e dando melhores condições aos seus ciclistas, notando-se, contudo, que uma franja alargada dos “publicitários” das equipas profissionais, o fazem por uma questão de identificação e ligação com a modalidade, quer por questões afetivas, quer pela concretização de sonhos antigos. Não se pense, contudo que no chamado ciclismo do World Tour as coisas não se passem de maneira semelhante, como o antigo proprietário da BMC, que mantinha uma equipa de alto prestígio, com os seus milhões pessoais, ou como o faz o magnata canadiano dono da Israel Cycling Academy, ou como o faz Makarov com a Katusha.

O ciclismo é um desporto de paixões, que se manifesta das mais diversas formas, e que começa nos atletas e acaba nos patrocinadores. Sem esta paixão inexplicável, o ciclismo não teria a grandeza que vai tendo junto do público, dos seus fãs, cada vez mais transversal e com um público alvo cada vez mais diverso. E isso é bom. Por isso, dizer mal da Volta, ou dos seus ciclistas, a totalidade daqueles que alinharam nesta Volta, não nos parece o melhor caminho, pelo menos para quem tem alguma responsabilidade na estrutura orgânica do nosso ciclismo.