Bernal e a Ineos, sem duvida os mais fortes

Está ganho. Na Colômbia é feriado nacional .

E lá foi tudo por água abaixo. Não !!! não nos referimos à granizada que, conjuntamente com a lama que invadiu a estrada acabaria por proporcionar um final imprevisto à etapa de hoje. Referimo-nos, sim ao estoiro completo de Tibaud Pinot e Julian Alaphilippe. De uma só assentada, Pinot acabaria por abandonar, vitima de uma lesão muscular, o que justifica de certa forma a sua não propensão para provas de tão longa duração. Em sete participações no Tour, com este é o quarto abandono. Fisiologicamente e até fisicamente, o francês tem dificuldades em recuperar de tão exigentes sacrifícios, aos quais o seu organismo responde de forma negativa.

Alaphilippe parece dizer adeus ao triunfo no Tour.

Alaphilippe acabou por resignar, aguentando onde até ele próprio decerto não imaginaria. É claro que a faltarem dois dias para o final do Tour é sempre lamentável, contudo, o francês da Deceuninck acabou rendido, deu o que tinha e não tinha, lutou contra a força, contra os gigantes, contra as montanhas mais duras do Tour, mas teve uma virtude muito grande: caiu de pé. Muitos poderão dizer, o que é que isso adianta, perdeu na mesma. Não Alaphilippe perdeu, é verdade, mas o seu estoicismo, a sua irreverência, a sua força mental fizeram dele um dos homens fortes deste Tour, de onde sai de cabeça erguida e, certamente, com a admiração de quem gosta de ciclismo. Sofreu, lutou mas, ñaturalmente que, contra a força não há resistência que resista. Aqui também tem de se fazer justiça : a Ineos lutou bem, soube esperar pelo seu terreno, arriscou porque tinha confiança nos seus homens. Egan Bernal provou hoje que nem Froome, nem Thomas lhe podem fazer sombra . Ele é o melhor do mundo, e o pior de tudo é que a sua idade, lhe pode permitir reinar por muitos e longos anos. Quando atacou, deixou toda a gente sem reação, quando alcançou os ciclistas que iam em fuga, e não eram nenhum polichinelos, eram nomes como Barguil Simon Yates, Nibali deixou-os para trás um de cada vez e sem atacar. Ficaram como se costuma dizer na gíria ciclista ” de passo”.

Egan Bernal (Team Ineos) and Simon Yates (Mitchelton-Scott)
Simon Yates foi o ultimo a descolar de Bernal.

Num grupo em que já não estavam muitos dos grandes nomes, a Jumbo Visma ainda tentou com Laurens de Plus dar uma ajuda a Kruijswijk, mas a sua pedalada era nitidamente inferior à de Bernal. Os holandeses sabiam também que não podiam dar tudo, pois podiam a qualquer momento ser desfeiteados por Thomas, que estava ali como tampão. Hoje, a Ineos revelou que tinha confiança apenas num homem: Bernal, pois não passou em claro o facto de ter sido Thomas a abrir o caminho e a preparar a saída de Bernal.

Afinal, o que importa é que só um pode ganhar e, para Dave Braislford mais vala um pássaro na mão que dois a voar, como aquela Vuelta em que apostaram em Wiggins em detrimento de Froome e acabaram perdendo para Cobo.

O Tour está entregue ? Ainda falta uma jornada pouco pacífica . A Ineos tem uma equipa forte e só um cataclismo poderá deitar por terra a atual situação da corrida.