Que estranha forma de correr – Pinot o mais forte no Tourmalet

O longo historial dos feitos heróicos de muitos ciclistas das épicas subidas do Tourmalet, ficou com toda a certeza manchado com a forma como os ciclistas abordaram a subida icónica do Tour. Nem um único ataque, nem uma única movimentação desta ou daquela equipa, deste ou daquela ciclista. De passo certo, os ciclistas iam ficado vencidos, não pelos ataques, mas pela dureza da subida. Não existiram mudanças de ritmo ao longo da subida, e achamos graça quando alguns comentadores tentavam compreender porque este ou aquele ciclista rolava no grupo de fugitivos, dando a entender que mais tarde os seus chefes de fila se lhes juntariam.

A anedota foi tão grande, que enquanto, por exemplo, a Movistar colocava um passo forte na frente do grupo principal, um dos seus chefes de fila penava na traseira desse mesmo grupo. Soler que puxava na frente, só muito tarde recebia ordem para ajudar Quintana que rolava atrasado. Mas antes já tinha “estoirado” com Amador.

Marc Soler, Alejandro Valverde y Mikel Landa, en las primeras...
Enquanto a Movistar puxava , Quintana arreava.

A seguir foi para a frente a FDJ. Antes Warren Barguil atacou, foi o único que ousou tal feito. Reação do grupo: nenhum se mexeu, de passo certo a tentativa foi neutralizada. O campeão nacional deu o mote, mas nem assim ninguém se lhe juntou. A conclusão que tiramos desta forma de correr é que ninguém correu para sacar a camisola amarela a Alaphilippe, correram sim para ganhar a etapa. E isso foi um grande feito para Tibaud Pinot. Não admira pois que, nestas duras montanhas, os segundos que se ganham ou se perdem são mínimos, o que é caso para dizer venham as etapas a rolar. Ao fim e ao cabo o resultado vai dar ao mesmo.

Nairo Quintana en este Tour de Francia.
Quintana foi a grande desilusão de hoje. Fechou-se em “copas” e não disse nada a ninguém.

Para quem assistiu hoje pela televisão ao desenrolar da etapa, deve ter ficado tremendamente desiludido. Os watts, as potências controlam as corridas, não permitem que os ciclistas ultrapassem os seus valores, não permitem que o ciclismo seja como antigamente: épico, valente, de ataque, de arranques, de fugas.

Na imagem era a Jumbo-Visma que puxava na frente, não se sabe bem porquê.

O curioso é que, Alaphilippe nem necessita de uma equipa. Os outros trabalham para si. Pinot ataca, quem vais atrás dele é a Movistar, é a Ineos, é a Jumbo, enfim, são todas menos a Deceuninck. O mesmo se passa nas etapas a rolar, quando quatro ou até mais equipas se junta, na frente do pelotão neutralizando todas as escapadas. Este ciclismo World Tour está esgotado, e com um fim à vista, em termos de competitividade.

( Fotos Le Tour )