Os novos heróis

É certo que Alejandro Valverde, com os seus quase quarenta anos, venceu recentemente, com a sua classe habitual, e também é certo que sentiremos a falta de Froome neste Tour, porque deixa de existir uma verdadeira referência. Uma referência para o adepto comum que conhece Froome, mas já tem dificuldades em saber quem é Geraint Thomas, e uma referência para os ciclistas em prova e para as equipas.

Será um Tour mais aberto em relação ao vencedor mas, provavelmente, uma corrida de mais receio. Sem o farol que é Froome, todos os outros potenciais vencedores têm muito mais a perder, porque no fim se dirá de todos, menos de um, “nem sem o Froome consegue vencer”.

Mas começar por Froome e Valverde, e referir a sua importância, também significa que, mais tarde ou mais cedo, é natural que todos sejam substituídos. Também Froome e Valverde, a seu tempo, vieram substituir os heróis da geração anterior. Óbvio que a marca de Froome e Valverde, como poucos conseguem, perdurará no tempo. Mas na estrada, a história será outra.
Com relevante força se tem apresentado a potencial nova geração. Bernal, Sivakov, Pogacar, Evenepoel, Enric Mas e tantos outros que surgem com resultados evidentes. Com o aproximar do fim de uma geração de heróis, a porta parece já aberta para os próximos.

Há alguns pelo meio, ainda, e que seria estupidez não considerar, mas a o que se tem notado, na imprensa e entre a falange de adeptos, sobretudo os mais jovens, é já olhar para a geração de Evenepoel e Pogacar em busca dos seus novos heróis.

Mas se lá por fora a tendência é a de natural mudança, por cá, quando olhamos para o nosso ciclismo, não pensamos de forma diferente. No principal pelotão português, rapidamente, encontramos uma dezena de jovens que, mais tarde ou mais cedo, despontarão definitivamente.

Sem ser preciso recorrer exclusivamente à vitória do jovem Pedro Andrade na última etapa do GP Abimota, quem tem acompanhado com alguma atenção as últimas provas do calendário nacional (Elites e Sub/23), com uma ou outra nuance, de certeza que nomeia essa tal dezena de nomes, nomeadamente se olhar para a consistência e persistência de que se fazem os ciclistas.

Apesar das dificuldades, o trabalho de formação das equipas continua a ser bom. Mas não será de menor importância, aproveitá-lo bem. E isto cabe, essencialmente, às estruturas que organizam a modalidade.
Luís Gonçalves