O Ciclismo é para todos

No livro de prova do recente GP JN, nas introduções prévias que sempre existem reservadas a organizadores, membros da Federação ou autarcas, Domingos Andrade, director do JN, numa alusão toda ela revestida do simbolismo sentimental que o GP JN merece, fazia referência a uma célebre frase, de um não menos célebre Bernard Hinault: “O ciclismo é para todos”.

Há distância dos anos, Hinault referia-se essencialmente ao facto de todos conseguirem andar de bicicleta. Não competir, que isso é diferente. Embora por hoje, também já todos possam ter o seu cheirinho à competição, apenas isso, nas maratonas e nos granfondos.

A última etapa do GP JN, com término em Gondomar, torna cada vez mais notório o alargar da expressão de Hinault. Não será de agora que se pensa que o ciclismo seja porventura o desporto mais inclusivo. Ora para quem anda de bicicleta, ora porque proporciona a todos a maior igualdade possível. Igualdade no território, como nenhum Governo consegue, e igualdade nas zonas de chegada, onde sempre se vê uma divergência social profunda e abrangente, o nosso verdadeiro melting-pot à portuguesa.

Ajuda ser uma modalidade aberta, popular e que, definitivamente, nunca foi marcada por complexos sociais. Bem pelo contrário.

Em Gondomar, a uma escala menor, obviamente, já se via a Volta a Portugal, esta, o verdadeiro fenómeno popular do país desportivo, apenas com par, no Rali de Portugal. Não me lembro de ver futebol em Arganil (sem desprezo pelos clubes locais, que perceberão o que digo) mas já lá vi o Rali de Portugal e a Volta a Portugal. Gratuitamente, em paz e harmonia.

Voltando a Gondomar, e ao GP JN, foi muito interessante a moldura humana que se juntou, com uma certa agitação a fazer lembrar, como se disse, a Volta. Com uma zona de meta digna da história que o JN tem e o ciclismo merece, algumas t-shirts, uns balões, uns chapéus, uma pequena e mini zona Vip (que, apesar de usar, detesto, sobretudo na Volta, mas são inevitáveis) também sempre ajudam. Mas, por tendência, o que se notava é que o público presente estava lá pelo ciclismo. Mesmo que fosse apenas para festejar a vitória do seu clube, ou do seu ciclista preferido, no mesmo espaço, sem conflitos, sem política e sem clubite. E, algo que não se vê em nenhuma outra modalidade. Em qualquer corrida, crianças de colo de idade bem tenra, pacificamente, bastando existir uma boa sombra.
O ciclismo, é, de facto, para todos.
Luís Gonçalves

1 comentário a “O Ciclismo é para todos”

  1. Boa tarde,
    Infelizmente vi que há pessoas que não estavam em Gondomar para ver ciclismo, mas sim ver o seu clube ganhar. Vi na primeira pessoa adeptos em frente ao pódio a tratar mal ciclistas, só por não serem do clube que gostam… Jamais vi isto no ciclismo e já ando nisto há muitos anos. A essas pessoas só quero pedir uma coisa… não venham ver o ciclismo. Fiquem com o futebol. Não são dessas pessoas que o ciclismo precisa. Todos os ciclistas são heróis, e a minha familia faz questão de apoiar os ciclistas “de todas as equipas” e por isso todos têm carinho por nós “.
    Agora é de louvar a multidão em Gondomar.

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