Portugal, Califórnia e um “tubarão”

Há quem diga que a Califórnia é parecida com o Alentejo. São os próprios ciclistas californianos que o admitem quando passam por Portugal, ora na Volta ao Alentejo, naturalmente, ora pelo Algarve ou na Volta a Portugal quando desce a Sul do país.

Não existem as super montanhas californianas, com altitudes impensáveis até para a nossa serra da Estrela, mas, de facto, uma boa parte do extenso território californiano, faz lembrar o Sul de Portugal.

Talvez por isso Pogacar e Higuita se tenham dado tão bem. Passaram por cá este ano, com sucesso, no Algarve e no Alentejo. Será obviamente algum pretensiosismo português considerar que os ares portugueses fazem bem aos ciclistas, mas, catapultados agora para a dimensão internacional que a Volta à Califórnia e o Worldtour podem dar, convém relembrar que alguns primeiros grandes passos são dados em Portugal. Destes, e de muitos outros.
Primoz Roglic, também venceu a Volta a Algarve, quando já tinha ganho uma etapa no Giro que agora comanda. Como era expectável, o CRI foi-lhe favorável.

Porém, principalmente, tem no encalço aquele que nenhum ciclista gostará de ter em perseguição, Vincenzo Nibali. O italiano é exímio a aproveitar os falhanços dos outros. Em boa verdade, também sabe provocá-los. Coloca uma pressão quase invisível sobre os adversários, mas tantas vezes fatal. E, no momento certo, raramente falha, dando as dentadas finais. O verdadeiro, e único, Tubarão.
Luís Gonçalves