Pedalada nos Açores

À boleia do Grande Prémio dos Açores/Volta à Ilha de São Miguel que se disputará entre 17 e 19 de Maio próximo, será oportuno referir que nos Açores o ciclismo é uma modalidade bem viva. Têm os “continentais” a tendência para assumir o contrário. Aliás, em relação a tudo, temos a tendência para acreditar que nos Açores nunca se passa nada.

Mas o que é certo é que, num contexto que não é fácil, o de uma insularidade distante e ainda por cima com várias ilhas dispersas, a Associação de Ciclismo dos Açores deveria passar um atestado de incompetência à maioria das Associações do continente.

O contexto é difícil mas isso não faz esmorecer os ânimos nem o ritmo de pedalada. Trabalha-se, e bem, para que o contexto seja mais agradável. Não há muitos clubes, nem muitos ciclistas, mas isso não impede que o calendário proporcionado nas mais variadas vertentes da modalidade seja interessante. Diria até que fará corar de vergonha algumas associações continentais.

Procuram-se programas de apoio do Governo regional, cria-se um calendário específico (Cycl’in Azores), com o contributo desse mesmo governo, num veículo de exploração turística e social, também com a colaboração e apoio da Federação Portuguesa de Ciclismo e da Airline Azores.

Há encontros de escolas de ciclismo, competições para todos os escalões, Granfondos e, com frequência, visitas ao continente, ora de equipas, ora da selecção dos Açores, para disputar competições.

Um pormenor deveras interessante, e que demonstra muita coisa, é o do site da Associação. Se tomarmos em linha de conta os sites das associações do continente, podemos sem qualquer margem para dúvidas dizer que quase todos são humilhados pelo conteúdo, facilidade de acesso, imagem, disponibilização de provas e resultados do site da associação açoriana. Tem contudo a actividade centrada, sobretudo em três ilhas, a que não será alheio o facto de existirem delegações no Faial e na Terceira. Mas, no contexto, percebe-se perfeitamente.

A Volta à Ilha de São Miguel, percorrerá a ilha ao longo de três dias. Destinada a ciclistas Sub-23, com possibilidade de participação de ciclistas Elite, desde que inscritos na Associação dos Açores, é uma prova dura, em que os desníveis acumulados são notados.

No livro de prova, um pormenor regional. Habituados que estamos ao local assinalado de Partida, é curioso ver inscrito o local assinalado de Largada!
Numa semana em que se poderia falar das tropelias do passaporte biológico, das decisões, ou falta delas, em tempo útil, do nenhum respirar de alívio que os atletas suspensos preventivamente podem ter, mas apenas um respirar profundo de espera desesperante, deixa-se tal à consciência de muitos e à inconsciência de alguns.

Sempre será preferível realçar o que há de bom no ciclismo. Meus amigos açorianos, tantas vezes esquecidos, continuação de uma boa Largada…
Luís Gonçalves