Os artistas da semana

Começando pela Romandia, Rui Costa, continua a não dar grandes hipóteses aos mais críticos. Podemos achar que por vezes falha nalguns aspectos. Ocasionalmente, talvez pudesse comunicar de forma diferente nas redes sociais. Mas o que é certo é que na estrada, continua a “falhar” muito pouco.
Tem uma carreira profissional com mais de duas dezenas de vitórias. Vitórias importantes, algumas das mais importantes do país, e uma boa soma de segundos lugares, que lhe dariam outras tantas vitórias de igual importância. Mas mesmo quando fica à porta da vitória, como em etapas no Giro ou nesta Volta à Romandia, é apenas suplantado por ciclistas de nível muito elevado. Seria bom, um dia destes, vencer uma das clássicas mais importantes do calendário, algo perfeitamente ao seu alcance.

Em Portugal, dois ciclistas em destaque. Luís Mendonça, continua o seu renascimento na modalidade. O compromisso tem que ser sério. Teve de o ser mesmo quando esteve afastado do ciclismo profissional. Ninguém consegue vencer se for desleixado. Aumentam os resultados positivos e os sonhos de alcançar sucessos ainda maiores.

Joni Brandão, aparece no ciclismo quando quer. Mas quando aparece é para ganhar ou pelo menos, para ficar lá perto. Podemos não gostar da fórmula de escolher só algumas corridas, esquecendo a Volta ao Algarve ou a Volta ao Alentejo deste ano por exemplo, mas tem sido uma fórmula de sucesso para o ciclista, o que lhe tem permitido visibilidade e contratos bem acima da média no panorama nacional. E, o facto de acabar por competir menos do que muitos outros, não foi impeditivo de, no ano passado, ser o ciclista mais pontuado no ranking da Associação de Ciclistas, algo que acaba por premiar a regularidade.

Edgar Pinto venceu nas Astúrias oferecendo à sua equipa uma vitória importante no seio de um pelotão bem composto. O homem de Albergaria parece ter tomado o gosto de vencer em Espanha, depois da vitória na Volta a Madrid conquistada na época passada. Por vezes é tudo uma questão de motivação no momento certo.

Realce ainda para Fábio Costa. Se Luís Mendonça venceu a Taça em Elites, não devemos esquecer que o jovem Fábio Costa venceu, e bem, a Taça nos Sub-23. Teve o mérito de resistir a diferentes terrenos e circunstâncias de corrida, arrecadando o merecido prémio.

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Iuri Leitão.


Mas porque continuo a considerar injusto este sistema de Taça Sub-23, também não vou deixar de realçar Iuri Leitão, o primeiro das equipas Sub-23. Às vezes dá a sensação que as equipas de clube existem apenas para compor pelotão. Deixam-se andar até ao fim (os que conseguem! alguns ficam cedo de mais…), porque fica bem, e depois dá-se a machadada do controlo de tempo que, ao contrário do que se pensa, sobretudo nestas circunstâncias, deverá ser tudo menos uma medida exacta.

Não é preciso dar uma hora, nem se deve! Mas há que ter bem mais em conta o esforço dos ciclistas e das equipas, num contexto em que têm “armas” bem inferiores e, supostamente, estão numa competição à parte. Não é assim que se atraiem equipas e ciclistas Sub-23… tão necessárias/os. Sem ciclistas, também não precisamos de Comissários.
Luís Gonçalves