Notas soltas

Os jornais estão de regresso ao ciclismo nacional. A ligação é histórica e umbilical, mas algumas feridas abertas nos últimos anos ditaram algum afastamento. Mas pelos tempos que correm, sobretudo a Norte, a característica organizativa que sempre tiveram, parece ter regressado.
No contexto, saúda-se a organização do GP O Jogo. Já não é o prémio de final dos anos 80, com várias etapas, mas duas etapas, entre 4 e 5 de Maio, que devem merecer a maior consideração por parte do pelotão nacional.

Oportunidade também para a justa homenagem a José Santiago, ciclista que também venceu esta competição e que perdeu tragicamente a vida, cobrindo uma Volta a Portugal, precisamente ao serviço d’O Jogo.

Lá por fora, pela UCI, David Lappartient, parece querer regressar aos primórdios do ciclismo em que as provas tinham o escalão dos Fracos e o dos Fortes. Novas regras no Worldtour, em que a capacidade financeira continua a reinar e mandar, devem criar, a curto prazo, um fosso ainda mais evidente entre equipas e competições, com sério prejuízo para algumas competições, equipas e ciclistas, sobretudo em Espanha e Itália. Talvez se as equipas francesas não demonstrassem actualmente alguma saúde, as considerações de Lappartient fossem diferentes. Isso e considerar as justificações para uma competição com dez anos ser mais importante do que uma com cem. A curto prazo…

Pelos Alpes, Froome é o equipier do momento. Tarefa que conhece bem e que lhe permite estar em vantagem, em relação a alguns, na hora de vencer as Voltas a França.

A nova Sky, tem Sivakov, e um crescente Tao Geoghegan Hart. Agora apontado como um novo trunfo do ciclismo inglês, em 2016 (também cá esteve em 2015) era um jovem desconhecido na Volta ao Alentejo. A mesma que venceu Enric Mas, segundo classificado na Vuelta, e onde um também jovem Maximilian Schachman deu nas vistas na chegada a Évora. E ainda dizem que a Volta ao Alentejo não tem estrelas. Tem. Só é preciso esperar que elas brilhem. Umas mais cedo, outras mais tarde.
Luís Gonçalves