Tempo do Paris – Roubaix

19 de Abril de 1896. O alemão Josef Fischer vencia o primeiro Paris-Roubaix com nove horas e dezassete minutos a uma fantástica média de 30,162 Km/h, deixando a 25 minutos o segundo classificado.

Os mesmos 25 minutos que o nosso Alves Barbosa, o primeiro português a chegar a Roubaix, teve de atraso do vencedor, vários anos mais tarde, em 1957, mas neste caso, já na 98ª posição.

Regressando a 1896 é de assinalar o ciclista Albert Dumas. Ninguém o conhece, é normal, mas foi o último no primeiro Paris-Roubaix, com o estrondoso tempo de 20h58minutos. Quase um dia, mas terminou.

A dureza do Paris Roubaix sempre esteve reflectida no tempo de prova. Sempre foram muitos quilómetros a percorrer, portanto, o tempo é algo inevitável, mas a medida do tempo vinca bem as dificuldades da prova.
Já não voltaremos às 12h15 minutos que Henri Pélissier demorou para vencer a edição de 1919. Edição do pós I Guerra Mundial que deixou os caminhos do Paris Roubaix ainda em pior estado do que o que seria normal. Tem-se convencionado que foi por este ano que surgiu a expressão “Inferno do Norte”. Os jornalistas que acederam à prova, não sabiam de facto o que iriam encontrar no terreno, nem em que circunstâncias ainda existiriam as localidades que pontuavam pelo percurso da prova. O cenário que acabaram por descrever foi devastador. Com 280 km, continua a ser, e provavelmente permanecerá, a edição em que o vencedor demorou mais tempo.

Em 2018, Peter Sagan demorou 5h54 minutos, a percorrer os 257 Km de prova. Não são as mais de 12 horas de 1919, mas o tempo médio dos últimos anos continua a indicar a dureza de uma prova que não tem subidas. Uma competição que há bem mais de cem anos, pelo que reflecte do que são as origens do ciclismo, continua a exercer evidente fascínio sobre os verdadeiros adeptos da modalidade. Uma competição onde se acumulam horas mas, para quem vê, o tempo passa depressa.
Luís Gonçalves