Cinquenta e dois minutos e a imagem do ciclismo

 

Nos tempos que correm, em qualquer reunião prévia às provas de Cadetes e de Juniores, muito se tem falado da imagem do ciclismo. Não nos referimos ao assunto da moda, que é o ambiental e que também contribui para a boa imagem do ciclismo, mas antes para os tempos de prova e para os corredores atrasados em prova e os inerentes controlos de tempo na chegada e durante a prova.
Também se pode dizer que à imagem do ciclismo se tem associado, com mais incidência este ano, a questão da segurança dos ciclistas em prova.

Em relação à imagem do ciclismo, não é de facto benéfico que o trânsito de uma qualquer localidade pare para ver passar ciclistas a conta gotas durante largos minutos.

Quanto à segurança, hoje em dia, as próprias forças de autoridade estabelecem tempos cada vez mais apertados para garantir a segurança a todos os participantes.

Dois argumentos perfeitamente lógicos e legítimos. Mas à conta disso os tempos que têm sido considerados são cada vez mais escassos. Em pelotões, sobretudo nos Cadetes, onde ainda existem tantas diferenças entre os ciclistas, alguns já com alguma experiência, outros, muitos, em primeiras experiências, não é fácil ser tão redutor em relação ao tempo. E às vezes não estamos a falar de atrasos assim tão consideráveis. Se tomarmos à risca alguns regulamentos, quaisquer oito minutos, às vezes cinco, dão para eliminar um jovem ciclista de prova. É desanimador, sobretudo para quem está a começar e, quem sabe, com alguma boa vontade até pode vir a ser um ciclista razoável ou pelo menos não fica só com recordações más da modalidade. Essa boa vontade depende muitas vezes do colégio de comissários. Uns são mais compreensivos ou pedagógicos, outros não.

Mas se uma das questões é a imagem do ciclismo, custa-me a perceber como é que a um Cadete ou Junior, um jovem a ser formado, que precisa de motivação, o futuro da modalidade e o futuro às vezes vem da traseira do pelotão, não é tolerado grande atraso, mas na Volta a Almodôvar, de veteranos, ou o que lhes queiram chamar, que de futuro nada trazem, na primeira etapa se classificam “ciclistas” com mais de cinquenta e dois minutos de atraso. Aliás, ali por volta do centésimo classificado, chegaram todos com mais de quinze minutos. Os mesmos quinze minutos que eliminaram mais de cinquenta Cadetes na primeira etapa da Volta a Portugal do escalão no ano passado.

Pois, no regulamento de Almodôvar, se bem o li, eram 35% de tempo de controlo na primeira etapa. Dava quase para alguns chegarem de noite! Deviam mesmo ser obrigados a levar sinalização luminosa. Na formação, em etapas, quando chega aos 15% já não é mau.

Também interessante foi o elevado número de camisolas distribuídas na Volta a Almodôvar (uma da delegação da FPC no Algarve…), como se já não bastassem as inúmeras camisolas de campeão nacional oferecidas aos veteranos.

Embora entenda que os tempos de controlo devem ser um pouco mais alargados (cinco minutos na estrada são muito pouco), também compreendo que pelas razões já expostas, imagem e segurança, o controlo tenha de ser mais rigoroso do que já foi. Ganha de facto a imagem e a segurança. Mas que seja para todos. De outra forma damos “brindes” a quem menos precisa deles. Os veteranos já não vão fazer nada pelo ciclismo. Para além dos números de inscrições, nomeadamente, sempre interessantes para o IPDJ, só atrapalham.
Parece-me que assim estamos a perverter o sistema e a prejudicar a bem mais útil formação. A mesma que já está carente de atletas até Juvenis.
Luís Gonçalves

1 comentário a “Cinquenta e dois minutos e a imagem do ciclismo”

  1. sr. luis nao e preciso deitar a baixo os veteranos ..ha espaco para todos. e ainda bem que ha tantos a praticar desporto e eu acredito que os veteranos ajundam a manter a modalidade viva

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