Pelas estradas alentejanas recordando grandes nomes

O Alentejo é amplo, a nossa vista contempla uma planície onde as azinheiras e oliveiras predominam. Hoje, nas cercanias de Moura, as águas do Alqueva davam-nos uma imagem ainda mais alargada, mas algo enganadora, e isto porque a água não abunda na região.

Ao longo dos 206 kms da etapa, o pelotão entrou no coração alentejano, nas pequenas aldeias de estradas estreitas e paralelos lisos, gastos pelo desgaste dos anos . O povo adere à estrada, incentivando e aplaudindo os ciclistas. As professoras trazem os seus alunos para a berma da estrada, não são muitos, porque no Alentejo a população é muito, mesmo muito idosa, em especial nestas pequenas aldeias, esquecidas pelo poder de Lisboa, para onde quase todos os jovens fogem, à procura de uma vida melhor. A Volta ao Alentejo com 37 anos de existência, fruto do trabalho de muitos e bons homens, a maioria dos quais já não está entre nós e outros que ainda por aqui andam, mas algo esquecidos pelo mundo do ciclismo, pródigo no esquecimento dos seus valores. Não vamos nomear ninguém, não porque essas pessoas que ajudaram a erigir esta prova não o mereçam, mas pelo simples facto de podermos esquecer um só nome, e isso para nós seria imperdoável.