Guerra por um segundo

Embora no próximo Domingo se dispute a Clássica da Arrábida, prova recente mas interessante do calendário nacional, a todo o vapor também se aproxima mais uma edição daquela que é uma das mais antigas e tradicionais provas de ciclismo do país, a Volta ao Alentejo.

Focando atenções na Alentejana, é sabido que durante 34 edições, a que correspondem outros tantos anos, a prova se apresentou com um vencedor por edição. Apenas em 2017, o espanhol Carlos Barbero quebra o enguiço e repete a vitória que já tinha alcançado em 2014.

No decurso destes 34 anos sem vencedores repetidos, por mais de uma vez, alguns estiveram perto de somar sucesso por estradas alentejanas. Mas, provavelmente, é difícil encontrar na longa história da prova maior “guerra” do que a promovida em 2009. Confronto onde estava presente a possibilidade de repetição de vitória. Ora, à entrada da Volta ao Alentejo de 2009, podiam romper a tradição e repetir vitória, Joaquim Andrade, Danail Petrov e Hector Guerra.

A primeira etapa, entre Vila Nova de Mil Fontes e Odemira é garantida pelo francês Maxime Bouet que, por inerência chega à amarela. Liderança da prova que apenas muda à terceira etapa num CRI disputado em Beja, onde vence o espanhol Hector Guerra, relegando para segundo no crono Christophe Moreau, e destronando do comando da prova Maxime Bouet.

Cândido Barbosa, então no Tavira, venceu em Nisa e repetiria triunfo na última etapa em Évora. Mas nesta última etapa todos os olhares se centravam nos três segundos que separavam Guerra, de Bouet, com vantagem para o espanhol, então muito perto de ser o primeiro a quebrar a tradição da prova alentejana.

Mas com bonificações à chegada, e dois lugares atribuídos (Cândido Barbosa e César Quitério) foi intensa a “guerra” pelos quatro segundos que restavam. Maxime Bouet acabou por bater sobre o risco de meta, Hector Guerra, e venceu a Volta ao Alentejo, por um segundo!

Ainda não seria desta que a tradição se quebrava e será caso para dizer, com vários sentidos, Guerra por um segundo.
Luís Gonçalves