Quedas e vento tramaram planos do MPCC e UCI

Os franceses foram ao longo dos anos cinquenta os principais obreiros pela cultura e institucionalização de praticas dopantes que, na altura eram consideradas normais e sem o impacto que hoje tem ,quer na comunicação social, quer, evidentemente como uma prática ética, na qual assenta as bases do fenómeno desportivo.

Na altura esses mesmos franceses eram o epicentro do ciclismo mundial. Com o passar dos tempos foram perdendo influência, e mesmo a língua francesa que era a oficial em todo o mundo do ciclismo perdeu terreno para a inglesa.

Os resultados desportivos ajudaram à missa, e os nossos amigos franceses levaram para o campo do doping a razão dos seus maus desempenhos. Lá inventam uns nomes, umas promessas, que não passam disso mesmo, promessas,  e o ar sobranceiro dos seus ciclistas e diretores desportivos, verdade seja dita, também não ajuda .  Criaram então o MPCC, agrupamento de equipas que luta por um ciclismo limpo e que, curiosamente, poucas equipas do World Tour tem nas suas fileiras. Como os pequenos são sempre mais fáceis de subjugar conseguiram que alguns organizadores, a maior parte também franceses, não permitam, que as equipas de segunda divisão que não adiram a este Movimento, não tenham convite para uma grande parte das grandes provas.

É uma situação hipócrita, diremos contudo caricata, e que demonstra a fragilidade legislativa do ciclismo . Permite-se a participação de equipas World Tour que não estão inscritas no MPCC e colocam-se reservas aos outros que não estão inscritas.

Mas começamos o artigo e desviamo-nos do tema, que tem a ver com a decisão da UCI de proibir o uso do Tramadol, um pouco contra o que pensa a AMA sobre o assunto, alegando que este medicamento era causador das muitas quedas de que são alvo os ciclistas. Ironia da coisa, sem Tramadol, nunca houveram tantas quedas como hoje, numa prova de ciclismo e com tantas fraturas :

Warren Barguil acabou por desistir com fratura de duas vértebras cervicais

Gorka Izagirre abandonou e foi parar ao hospital.

Rigiberto Uran fraturou a clavícula esquerda.

Para além das já citados também Michael Matthews  caiu mas não fraturou qualquer osso, Martijn Tusveld fraturou a clavícula ,Maxime Bouet  tem problemas no joelho e está a espera de um diagnóstico, na Dimension Data abandono de  Mark Cavendish e Louis Meintjes.

O que faltou na análise do dossier é que as quedas têm o seu epicentro na cada vez mais crescente espetacularidade das provas, na pressão que é colocada aos ciclistas, e pelas dificuldades criadas pelas condições adversas, como hoje o foi o vento, como o comprova a imagem em baixo, com o pelotão do Paris-Nice fragmentado em vários grupos:

 

2 comentários a “Quedas e vento tramaram planos do MPCC e UCI”

  1. A notícia publicada ontem não tem qualquer conotação a favor nem contra. O que se pretendeu desmistificar é que o Tramadol não é a causa principal das quedas no ciclismo, mas sim, na nossa opinião como é natural, a imensa pressão que os corredores sentem por parte dos seus empregadores, pelo stress que tal situação ocasiona em situação de competição, e pela obsessão dos resultados, como forma de justificar os milhões investidos . Ao avançar com mais uma inovação e pretendendo andar com o carro à frente dos bois, o ciclismo continua a dar tiros nos seus porta aviões, abrindo portas, alargando e dando aso a mais notícias sobre o assunto, enquanto as outras modalidades se escondem, com o animal que esconde a cabeça e fica com o rabo de fora.

  2. Afinal em que ficamos? Vocês são a favor do doping ou contra? Vocês são a favor do controlo de utilização de medicamentos que favoreçam os que utilizam ou não?
    Cometem um erro enorme ao atribuir aos franceses (e, eu também não gosto deles) a obrigação do controlo anti doping para justificar o seu ocaso de resultados no ciclismo. Qualquer leigo sabe que o controlo anti doping deu entrada na modalidade após várias mortes originadas pela utilização de produtos que melhoravam o desempenho dos atletas em competição. Era impossível ignorar o problema e tinha que se tomar uma atitude. Se foram os franceses só temos que lhes agradecer.

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