Questões ambientais

 

Uma ou outra novidade regulamentar apresentou-se este ano e muito se tem falado, nomeadamente nas várias reuniões com diretores desportivos, das normas relacionadas com o ambiente.

Numa modalidade tradicionalmente vista como amiga do ambiente, pelo menos pela utilização da bicicleta, a responsabilidade parece ter aumentado ainda mais.

Se normalmente quem começou no btt sempre foi mais sensível a estas questões do lixo e do ambiente, a verdade é que no ciclismo de estrada o hábito de guardar o lixo nos bolsos, por exemplo, ainda não é muito comum, mesmo nos grupos “domingueiros”.

A forma de ver a questão, felizmente, tem mudado com o passar do tempo, mas as circunstâncias de corrida, quando falamos de competição, marcarão sempre uma diferença. Por mero exemplo, o que fazer com as simples latas de Coca-cola, tão utilizadas no ciclismo? Guardá-las no bolso? Pensem numa queda. Bebê-la sempre ao pé do carro? Parar?! Acabar com a Coca-cola nas corridas? Pelo decurso da questão, esta última hipótese, até parece ser a melhor.
Naturalmente que uma modalidade moderna não se pode alhear das questões ambientais. Mas será com multas exageradas que isso se consegue? Com áreas verdes de características duvidosas? Com medidas que parecem mais show da UCI do que eficácia?

O próprio atirar de garrafas, das tradicionais garrafas de ciclismo, vai, inevitavelmente, gerar interpretações diferentes. Alguns comissários serão radicais, outros vão ver a questão apenas ao pé do carro de equipa, outros vão alargar horizontes ao resto da circulação em prova, alguns vão ver público no local em que o ciclista se desfaz da garrafa e outros, em situação idêntica, não verão esse público. Uns compreenderão que os ciclistas se desfaçam das garrafas na preparação do sprint, outros não. Uns perceberão a situação de corrida que ditou que o ciclista não pudesse fazer as coisas de outra maneira, outros não.

E não se poderá dizer que umas decisões estarão certas e outras não, apenas que se antevê discricionariedade a mais, numa situação com multas demasiadamente pesadas, característica aliás, da maiorias das punições ambientais a todos os níveis. Para além de que, a capacidade de reacção/justificação a uma multa aplicada em prova é praticamente nula, quando muitas vezes a fundamentação da infracção até é bem fraca.

As medidas ambientais são interessantes. Ninguém pode discordar disso. Mas também é preciso criar condições para a sua eficácia, adaptá-las à realidade desportiva e ser convincente de que a sua aplicação é essencial, nomeadamente, pelos meios que são colocados à disposição para real cumprimento. E essas condições e sobretudo convicções raramente surgem à conta de punições exageradas e que, no caso do ciclismo, tratam situações desiguais como iguais (as equipas e ciclistas), apenas em função da classificação de corrida. Talvez fosse melhor começar pela bem mais útil sensibilização. Logo nas Escolas. E a UCI devia saber isso.
Luís Gonçalves

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