Valha-nos ao menos que a UCI não legisla os treinos, senão é que era lindo

As alterações do regulamento técnico de corridas em muitos pontos, tiveram como objetivo primeiro um aumento considerável do valor pecuniário das multas e uma série de agravamentos em todas elas, convergindo num ponto comum: o aumento da receita proveniente de multas .

Uma das preocupações nas reuniões de comissários prende-se com as chamadas zonas verdes, zonas onde os ciclistas podem despejar todo o lixo, normalmente os invólucros das barras e géis, papel de alumínio, devendo considerar-se, não o sabemos se a UCI assim pensa, que as cascas de banana, por exemplo, ao serem biodegradáveis, podem ser despejadas em qualquer local.

Estas zonas são colocadas, normalmente um pouco antes do local de abastecimento, o que até tem lógica, esvaziam-se os bolsos para voltara encher.  O problema é que o peso das embalagens é insignificante e, quando os carros de apoio passam, levam todo aquele lixo para bem longe, esvoaçando para tudo quanto é sítio : entram nos jardins das pessoas, voam para os campos e florestas, faltando, saber se, depois de tudo ter passado, se alguém vai lá apanhar aquele lixo todo. Mas isso é outro problema, o que importa é ser politicamente correto.

Outro problema prende-se com os bidons, que as equipas à custa de dizerem que é para fazer publicidade, despejam por tudo quanto é sítio. E não os guardam porquê ? Porque é evidente que dá trabalho, guardá-los e limpá-los para nova reutilização. Então é mais fácil deitar fora.

O que pensou a UCI multar quem atire os bidons de forma inapropriada:  na passagem do pelotão por um aglomerado de pessoas e acertar numa delas, atirar bidons numa ponte , com uma estrada a passar por baixo  ou deitar fora bidons onde não está ninguém que os apanhe, por exemplo.

Ficamos hoje a saber mais uma, se um ciclista quando vier ao carro e deitar os seus bidons fora , em vez de os entregar ao carro, é multado.. Vejamos um caso que até pode acontecer. O pelotão rola a alta velocidade, e um ciclista descai para receber bidons o mais rápido possível. Primeiro não pode atirar os bidons para o carro porque é proibido, e até se compreende porque pode causar um acidente, segundo vai ter que calmamente entregar os seus bidons ao carro de apoio e receber o maior número de  bidons que puder levar consigo, e quando olha para a frente o pelotão já lá vai.

O fundamentalismo não é boa política, mas todos estaremos de acordo numa coisa : é que nas pequenas provas nacionais as multas deveriam estar de acordo com a nossa realidade e não com a realidade do ciclismo dos milhões. Já viram uma equipa, já não digo continental, mas de clubes , ser multada em mil francos suíços, que é o valor  que a equipa dispõe para um mês de atividade ?

O ciclismo nacional precisa de se atualizar. Hoje, na Clássica da Primavera, os ciclistas de  uma equipa amadora espanhola da zona de Galicia, estavam com os auriculares e a experimentar se estes funcionavam, até que alguém lhe foi informar que em Portugal não se podem utilizar, porque a UCI não deixa, ao que ele respondeu mas nós utilizamos nas nossas corridas. Pelos vistos não há UCI para aquelas bandas.

A tal UCI que proibe mais de sete ciclistas por prova, mesmo nas provas nacionais . Resultado, com tão poucas provas há ciclistas portugueses que passam meses, é verdade, meses sem correr. Valha-nos ao menos que a UCI não legisla os treinos, senão é que era lindo.