As visões do consagrado veículo publicitário

 

É comum pensarmos que muitas vezes quem apoia o ciclismo, como patrocinador, é tendencialmente um adepto da modalidade. Mas talvez noutros desportos essa seja uma característica bem mais visível. Ou seja, há claramente modalidades onde o retorno só tem justificação no gosto por essa modalidade. O efeito publicitário, mesmo que dirigido a um alvo restrito, até tem feitos escassos naquele nicho de mercado. Se de homicídios se tratasse seria puramente passional!

Vem isto a propósito do que se tem ouvido durante várias apresentações de início de época, ora de equipas, ora da própria época federativa. Ressaltam aqui duas ideias, com visões distintas, mas que desembocam no mesmo fim.

No momento da apresentação da nova época, pela Federação, foi justamente homenageado José António de Sousa que, enquanto CEO da Liberty Seguros contribuiu para o impulso moderno do ciclismo português. Não foi a Liberty que modernizou o ciclismo nacional, isso pertence a muita gente, mas ajudou. Nas declarações do próprio a justificação do apoio. Já era um amante da modalidade, a tal faceta que normalmente reconhecemos, mas também viu no ciclismo o meio mais rápido e eficaz para lançar uma marca até então desconhecida em Portugal. E teve sucesso.

Em pólo aparentemente oposto, durante a apresentação da RP-Boavista, Ilídio Silva, director da Rádio Popular, dizia que nunca foi fã do ciclismo, a nuance que às vezes nos escapa, mas viu na modalidade o mais fácil veículo publicitário para o seu negócio.

De facto, fãs ou não, os verdadeiros homens de negócios, vêem no ciclismo o espírito e o tocar qualquer ponto do país, úteis a qualquer campanha publicitária dirigida a um público abrangente.

Marcas que perduram, para além do período de patrocínio em si. Conheço um senhor que em tempos tinha um equipamento do Tavira e outro do Boavista. Em caso raro, com o mesmo patrocínio, na mesma época. A Recer. Ainda hoje tenho dificuldades em me lembrar do seu verdadeiro nome, mas todos o reconhecem por “Recer”!

Mesmo associados a clubes de dimensão, com o seu tempo, porque nestas coisas também é preciso tempo, os patrocínios acabam por sobressair. Se até há bem pouco tempo só se ouvia falar nos Feirenses, hoje já se ouve falar muito nos Vito’s. Algo que nunca acontece no futebol.

Noutra escala ou à mesma escala, não é rara a vez em que se fala a alguém de uma determinada marca ou instituição e em que nos surge a primeira consideração, até de pessoas estranhas à modalidade, “isso não era uma equipa de ciclismo?”. SIM. Em respostas múltiplas porque os exemplos são muitos: Mas antes disso já era um banco. Ou, uma associação. Ou, uma empresa de indústria e comércio de carnes…
Luís Gonçalves