Nuno Ribeiro segundo na estreia vitoriosa de Sicard

O jovem francês Romain Sicard (Orbea) surpreendeu hoje os favoritos e ganhou a 43ª edição da Subida a Naranco, cruzando a meta isolado. O português Nuno Ribeiro (Liberty Seguros) foi o segundo classificado, depois de ter abalado do pelotão nos últimos 3 quilómetros, tentando alcançar o francês de 21 anos que vinha fugido desde os quilómetros iniciais. Uma passagem-de-nível que se fechou ao pelotão depois de os escapados terem passado, fez com que a diferença dos fugitivos tivesse crescido para valores que impediram Nuno Ribeiro de vencer. Romain Sicard foi o mais beneficiado e estreou o palmarés profissional numa corrida mítica do ciclismo ibérico.

A história da Subida a Naranco começou a escrever-se poucos quilómetros depois da partida dada em Lugones. Romain Sicard escapou na companhia de Carlos Nozal (Liberty Seguros), Grega Bole (Amica Chips-Knauf) e Matthew Brammeier (An Post-Sean Kelly Team). Ainda antes do quilómetro 30 dá-se um incidente de corrida que pode ter sido determinante. Os fugitivos passam numa passagem-de-nível, cuja cancela baixa antes da chegada do pelotão, fazendo a vantagem do quarteto disparar num ápice para seis minutos. O pelotão não reagiu ao infortúnio e a diferença chegou aos 9 minutos, quando se chegava a um terço da corrida.

Só nessa altura se teve um vislumbre de perseguição, a cargo da Fuji-Servetto e da Xacobeo Galicia, mas os aventureiros mantinham-se destacados. O britênico Matthew Brammeier cedeu às primeiras dificuldades, enquanto Carlos Nozal, seguindo orientações do director-desportivo, Américo Silva, não colaborava com os companheiros de ocasião. Grega Bole, depois de ontem ter andado fugido na derradeira tirada da Volta às Astúrias, fazia praticamente todas as despesas da frente de corrida. Na primeira das três subidas de segunda categoria, a cerca de 35 quilómetros do final, Romain Sicard ataca e segue em solitário a caminho da meta.

O pelotão estava a cerca de 4 minutos do francês e ainda era possível anular a escapada, mas não se viu nenhuma equipa a querer assumir a responsabilidade de uma perseguição tenaz. Pelo contrário, reinou a desorientação, com várias formações a passarem pela frente do pelotão – Caisse D’Epargne, Xacobeo Galicia, Rock Racing, Madeinox-Boavista e Liberty Seguros -, mas sem um investimento claro neste esforço.

Apesar de rodar sozinho, de ser um corredor inexperiente e de ter um forte vento de frente a dificultar-lhe a vida, Romain Sicard parecia resistir e entrou na subida a Naranco, nos últimos 5 quilómetros da prova, com uma vantagem que rondava os 2 minutos para os mais directos perseguidores. A maior parte dos corredores presentes estiveram também na Volta às Astúrias, pelo que o cansaço ali acumulado deixou marcas e fez com que muita gente estivesse com as forças no vermelho, impedindo golpes de asa que fizessem a diferença. Isso explica a incapacidade do pelotão para alcançar Sicard e também ajuda a compreender que fossem quase 50 os corredores que entraram juntos na subida final.

Depois de algumas escaramuças na perseguição a Sicard, foi Nuno Ribeiro que saiu do pelotão quando a meta estava a três quilómetros. Inicialmente o português teve a companhia de Branislau Samoilau (Amica Chips-Knauf) e de David López (Caisse D’Epargne), mas quando aumentou a cadência de pedalada viu-se sozinho no encalço de Sicard. Acontece que o último português a ganhar a Volta a Portugal já tinha poucos quilómetros para recuperar a desvantagem. Assim, Romain Sicard foi o primeiro, Nuno Ribeiro chegou a 26 segundos – o luso recuperou mais de minuto e meio em 5 quilómetros de subida! – e David López fechou o pódio, a 37 segundos do vencedor. Héctor Guerra (Liberty Seguros) terminou na quinta posição e foi o segundo representante do ciclismo português nos dez melhores. Santiago Pérez (Madeinox-Boavista) foi eleito o mais combativo.
CLASSIFICAÇÕES
Lugones – Naranco, 149 km
37,81 km/h
1º Romain Sicard (Orbea), 3h56m27s
2º Nuno Ribeiro (Liberty Seguros), a 26s
3º David López (Caisse D’Epargne), a 37s
4º Samuel Sánchez (Euskaltel-Euskadi), a 39s
5º Héctor Guerra (Liberty Seguros), a 40s
6º David Arroyo (Caisse D’Epargne), a 43s
7º Daniel Moreno (Caisse D’Epargne), a 45s
8º Ángel Vicioso (Andalucía-Cajasur), a 50s
9º Jaume Rovira (Andorra-Grandvalira), a 52s
10º Branislau Samoilau (Amica Chips-Knauf), a 1m00s
17º Santiago Pérez (Madeinox-Boavista), mt
37º Tiago Machado (Madeinox-Boavista), a 1m50s
39º Célio Sousa (Madeinox-Boavista), a 2m16s
53º José Mendes (Liberty Seguros), a 3m42s
55º Rui Sousa (Liberty Seguros)

Equipas
1º Caisse D’Epargne, 11h51m26s
2º Euskaltel-Euskadi, a 1m11s
3º Selecção Espanha, a 1m12s
7º Liberty Seguros, a 2m43s
9º Madeinox-Boavista, a 3m01s