O efeito Evenepoel

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Não sabemos para onde pedala Remco Evenepoel, mas por enquanto sabemos que pedala bem. Na recente volta a San Juan, o jovem belga deu mostras de se conseguir integrar com vigor num nível competitivo bem superior ao do escalão de Juniores.
Não será caso único, mas pouco comum. Deu um forte impulso à forma como olhamos para o que faz. Chegou ao patamar superior, de certa forma impôs-se, mas faltará o mais difícil, manter-se. Se apontarmos Peter Sagan vemos que também chegou muito jovem, com credenciais, impôs-se e sem dúvida que se mantém. Mas a Sagan nunca lhe fizemos projectos de ultrapassar os feitos de Merckx.

Também não devemos esquecer que muitos dos que competiam com Evenepoel e que ficaram ainda no escalão Sub-23, vão evoluir de forma diferente, alguns talvez mais sustentadamente. O mesmo se passa com alguns pouco mais “velhos” que já estão no pelotão principal, e que até chegaram lá mais tarde na sua carreira. Por exemplo, falando apenas de belgas, embora se conheçam melhor as características de Tiesj Benoot, podemos também ainda não saber muito bem o que lhe reservará o futuro. Mas com a febre Evenepoel, os belgas já parecem esquecidos do Tour que fez em 2017. E se Evenepoel foi 9º em San Juan, Benoot foi 10º a dois segundos. Potencial existe inegavelmente nos dois, mas daqui a cinco anos veremos. Ullrich venceu o Tour com 21 anos e depois teve um azar chamado Armstrong. Contudo também temos Hinault que apareceu jovem e se aguentou. É difícil sabermos o que anda escondido nos Sub-23 ou às vezes já no pelotão principal. Quando tinha 23 anos poucos apostariam o seu salário em Froome!

De qualquer forma as prestações de Evenepoel não deixam de nos surpreender. Tem já uma legião de fãs entre os mais jovens ciclistas. Muitos Cadetes e Juniores, já vêem em Evenepoel a sua referência. Talvez seja um pouco cedo para isso, mas o certo é que há um efeito Evenepoel.

E neste contexto actual do efeito Evenepoel seria interessante para a Volta ao Algarve uma vitória do jovem belga. Seria sempre uma vitória do público que acompanha a modalidade, mas este também é cada vez mais vasto e global. Inevitavelmente seria um dos sucessos do ano. Talvez mais badalado do que Thomas ou Kwiatowsky alcançarem o número de vitórias de Belmiro Silva (três).
Tirando um pouco ao nosso coração português, olhando para o exterior, no momento talvez não existisse sucesso maior. Pouco provável, mas veremos. Talvez uma etapa. A Juventude. Tiesj Benoot já ganhou a juventude no Algarve.
Luís Gonçalves

1 comentário a “O efeito Evenepoel”

  1. A informação não está correta. O Jan Ullrich venceu o Tour com 23 anos, no ano em que completaria 24 anos.

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