Os mesmos de sempre ?

Chegou 2019. No princípio de cada novo ano, nas equipas e nos ciclistas, criam-se ambições, objectivos que, nalguns casos se vão reforçando ao longo do ano mas, porventura em relação à maioria, vão esmorecendo à medida que os quilómetros se vão fazendo.

É tempo de novos alinhamentos nas equipas, de mostrar os equipamentos, dar cor a novos patrocinadores ou voltar a mostrar os patrocinadores de sempre, afirmar que este ano é que as bicicletas da equipa são boas, sobretudo quando se muda de marca e de materiais de construção, declarar novas intenções e desejos.

Pensa-se muito na prova de abertura, algo que nos fica na memória do ano inteiro porque, não raras vezes, reconhecemos o vencedor desta prova mais facilmente do que muitas outras do calendário, até com importância superior. Sonha-se com os projectos da Volta ao Algarve e, rapidamente, estaremos na Volta ao Alentejo.

O calendário é novo, é de 2019, mas o soma e segue de provas, vai sendo fundamentalmente o mesmo marcadas atempadamente no seu tempo.

Lá por fora, olha-se já com alguma atenção para o Tour Down Under. As novas sensações do Worldtour, as camisolas, os ciclistas. Não é a prova de abertura, porque agora nem sabemos quando encerra a época, mas parece.

Ano após ano é assim depois do defeso. Já foi mais matemático e definido o defeso, mas no nosso subconsciente continua a marcar presença definida.

A previsibilidade também se vai transmitindo de ano para ano. A forma sincopada das provas, os ciclistas e as equipas. Em último ano de Sky, prevê-se o mesmo domínio. Da mesma forma, em Portugal, o FCPorto parte na liderança. Nas outras equipas, algumas, os reforços são notáveis, mas as façanhas de anos anteriores marcam qualquer adversário. Caberá a cada um contrariar esse favoritismo.

Apesar da aparente monotonia que é o defeso (porque muita coisa definidora da época se passa nesta fase) e dessa aparente monotonia se poder transpor para o decurso da época, o certo é que todos nós já ansiamos pelas primeiras pedaladas oficiais do ano. Também cada um de nós, tem os seus sonhos para o ciclismo. Serão os mesmos de sempre? Só a nova época o dirá.
Luís Gonçalves