Ciclismo nacional no bom caminho ? – Só falta mais provas

O ciclismo nacional vai conseguindo de forma gradual uma crescente valorização, consubstanciada em vários pontos, fundamentais, para um crescimento que esperamos seja sustentado.

Pela primeira vez nos últimos anos, uma equipa ascendeu ao segundo escalão internacional, o pelotão continental vai-se mantendo, e mesmo o pelotão sub-23 vai alargando o leque de equipas. São sinais do tempo, que acompanha  uma crescente onda positiva que o nosso país atravessa.

Para além da manutenção, do seu pelotão continental, teremos de registar um crescente aumento dos vencimentos dos ciclistas, com os melhores ciclistas das equipas profissionais continentais nacionais, a ultrapassarem os valores normais de algumas  equipas continentais de segunda divisão, a nível internacional.

Diremos mesmo que a oferta começa a ser maior que a procura: isto é, o nosso ciclismo “forma” poucos jovens, para as equipas  existentes. Há pois, uma falta de efetivos para enquadrarem as equipas continentais, o que pode dar a entender que existem muitas equipas continentais e  poucas sub-23, para alimentar um pelotão tão alargado como o nosso.

Naturalmente que para um pelotão tão numeroso, que a FPC ajudou a  aumentar, quando “promoveu” as equipas continentais sub-25, faltam provas que justifiquem a existência dessas equipas.

Portugal é um país periférico, bastante afastado do centro da Europa, onde o ciclismo tem grande implantação. Não é fácil a uma equipa nacional competir em França, por exemplo, dada a distância que separa os dois países.

Também não será fácil pelos elevados custos que estas deslocações acarretam, isto para não falar na seleção das candidaturas que os organizadores se vêm obrigados a fazer. Na verdade, hoje em dia, há mais equipas em todo o lado, que provas. Por outro lado, a grande maioria dos patrocinadores das equipas lusas estão confinadas ao mercado interno, onde apostam tudo, não tendo qualquer interesse comercial a nível internacional.

Tendo em conta o nosso passado, e a tradição do nosso ciclismo, é vital para o seu desenvolvimento um calendário que dê sustentabilidade às equipas e ciclistas . Aqui sim, o grande calcanhar de Aquiles do nosso ciclismo interno . Mau grado o esforço feito pelo atual presidente da Federação, não é fácil angariar novos patrocinadores e novas provas, por muitas ideias que se tenha.

Neste capítulo o ciclismo nacional tem de ganhar espaço e envolver toda a comunidade do ciclismo profissional, na criação de novos eventos, que ajudem a sustentabilidade de equipas e ciclistas.