No ciclismo dos milhões, ficou provado que os gigantes têm pés de barro – Sky acaba em 2019

Afinal, o ditado “ Deus escreve direito por linhas tortas”, vem mesmo a calhar, face à notícia divulgada hoje, pela equipa da Sky, informando que os seus dois principais patrocinadores ( a Sky e a 21st Century Fox ) abandonarão o seu patrocínio desportivo, no final de 2019. Tendo a equipa inglesa, como o mais grave dos seus problemas, a UCI vê resolvido um problema, que afinal, não foi capaz de saber gerir.

Isto é, o domínio britânico que exerceu ativamente nos últimos dez anos, tantos quantos a sua existência, consubstanciado, em especial pelos seus seis triunfos no Tour, terminará daqui a um ano, e a UCI poderá respirar de alívio. Na gaveta deverão ficar agora, totalmente esquecidas, todas as congeminações arquitetadas para acabar com tamanho poderio .

Dave Brailsford tem  um ano para conseguir um novo patrocinador, com um poder financeiro perto dos 30 milhões de euros, ou então terá de baixar os braços , ou seja diminuir os seus orçamentos, dando aso a um ciclismo mais equilibrado. Com a maior promessa do ciclismo mundial, Egan Bernal “preso” por cinco anos, Geraint Thomas com contrato até final de 2012, com Ivan Sosa com mais três anos de ligação à sua estrutura, não será difícil descortinar que o manager britânico não tenha um trunfo na manga, pelo menos poucos acreditarão que assim não seja.

A equipa britânica foi uma das formações  mais bem  sucedidas  na história do ciclismo mundial, implementando uma série de medidas consideradas inovadoras, muitas delas só possíveis de concretizar, face ao enorme  orçamento que dispunha. Passou também por várias vicissitudes, como os problemas de Bradley Wiggins no Tour de  de 2011 e 2012, bem como no Giro de 2013, com a utilização de Triancinoloma, os problemas de Froome na Vuelta de 2017, e a inconstância de Moscon em problemas disciplinares.

Nisto do ciclismo dos milhões, ficou provado, mais uma vez, que os gigantes têm pés de barro, isto é : a sua duração é efémera, e os troféus conquistados pelas diversas equipas que se vão extinguindo, perdem-se no vão de escada dos seus responsáveis. Como é diferente o nosso ciclismo.