Frente colombiana

Nos últimos anos, a nossa Volta ao Algarve, sempre teve como principal “rival” a Volta à Andaluzia. Próxima de Portugal, também, normalmente, com bom tempo para os padrões europeus e perfeitamente coincidente em datas. As mesmas datas que as aproximam, na Europa, do Tour Haut Var, na França, prova com uma lista de vencedores invejável e apetecível sobretudo para as equipas francesas, belgas e holandesas.

Mas num mundo em expansão, as tradicionais provas europeias que até há bem pouco tempo não tinham concorrência que se visse fora do continente europeu, olham agora para os calendários aprovados pela UCI e têm cada vez menos razões para se desleixarem. Pela mesma altura, encontramos provas na Ásia, com Oman na liderança, provas em África, e na Oceânia, que tem mais filiados do que todo o continente africano.

Como se as “ameaças” não fossem suficientes, em 2018, com investimento redobrado para 2019, surge na América do Sul, o Tour Colômbia, prova a disputar em seis etapas, as primeiras para agradar aos sprinters, as últimas para fazer sorrir os trepadores, com etapas de altíssima montanha.

Não confundir este Tour de Colômbia, uma criação internacional recente que surge com um nome apelativo e universal, com a Volta à Colômbia, que se continua a disputar em Junho, e a ter quinze dias, prova que tem sido viveiro de alguns dos maiores ciclistas da actualidade e que têm tornado a Colômbia num país acima da média no ciclismo. Menos mediática, mas altamente produtiva!

Tal facto não impede os colombianos de quererem a sua grande prova internacional. A capacidade de atracção é vasta. Só com os colombianos, faziam sorrir qualquer organização a nível mundial.

Vejamos, a título de exemplo: Nairo Quintana, Rigoberto Uran, Fernando Gaviria, Esteban Chaves, Egan Bernal e Ivan Ramiro Sosa, representando algumas das maiores equipas do mundo! Uma crescente e verdadeira frente preparada para o domínio.

Em 2019 preparam-se para acolher Froome, talvez Valverde e tentam Vincenzo Nibali. Bastará Froome para pôr qualquer prova no mapa.

No contexto, o ciclismo na Colômbia parece funcionar a duas velocidades. Competições e equipas que ninguém sabe que existem, a Volta à Colômbia que se nega a perder a sua identidade, mas no meio disto, ou se calhar por isso mesmo, cada vez mais ciclistas de topo e agora, pelo menos por enquanto, uma prova de referência internacional.

Ganhando a Volta a França (dos grandes…), os colombianos chegarão ao Olimpo do ciclismo, algo muito pouco provável para um país periférico. Certo é que a Federação Colombiana tem dado frutos. Internacionaliza-se, sem nunca prescindir das suas bases e da sua identidade própria, porventura o segredo do sucesso. Diferente do modo de crescimento da British Cycling, mas igualmente produtivo e mais adaptável a quem tem poucos meios.

Pode salvar os europeus ser um país instável, mas o que se adivinha nos tempos mais próximos é trabalho redobrado pelo Algarve e pela Andaluzia.
Luís Gonçalves