” Cabe à Federação implementar uma nova política mais economicista, logo mais rentável “

O Luís Gonçalves trouxe hoje à baila o ciclismo no feminino, numa modalidade em que, curiosamente, só há muito poucos anos, em relação a outras disciplinas desportivas, as mulheres começaram a assumir protagonismo.

No nosso país, o número de filiadas ainda vai longe, em relação à disciplina rainha e mais atrativa no setor, o voleibol, mas vai caminhando para números que começam a ser aceitáveis, e os primeiros resultados de nível internacional começam a ser visíveis, na pista, na estrada e no BTT.

Tudo tem um principio, e o esforço é repartido por todos os intervenientes, mas não é fácil, numa disciplina como o ciclismo, acudir a todos os fogos. Sem procurarmos puxar a água ao nosso moínho ( Jornal Ciclismo sempre esteve vocacionado a nível informativo  para o ciclismo de estrada a nível profissional ), é na estrada, e nos profissionais que o ciclismo ganhou, ganha e ganhará projeção, sem menosprezo para as restantes disciplinas. Numa modalidade tão complexa, quão multidisciplinar, os dirigentes federativos vêm-se a braços com uma infindável montra de disciplinas tão diversificadas, como BMX, o trial, o ciclocrosse, o CXO, a estrada, a pista, enfim as provas distintas para femininos, masculinos, desporto adaptado, que não é fácil gerir tamanha diversidade.

Por isso, e sem procurarmos meter a foice em ceara alheia, o ciclismo e os seus dirigentes têm de se organizar e, sobretudo, especializar, em cada setor, de forma a garantir que todos  consigam objetivos , resultados e um calendário de provas aceitável.

Por isso, há 30 anos… que lutamos para a criação de um departamento de ciclismo profissional, a funcionar dentro e sob a égide federativa e que possa, tecnicamente, assegurar um calendário desportivo aceitável, supervisione traçados, oriente organizadores e fiscalize as suas organizações.

Seria também importante que,  numa modalidade desportiva que envolve avultados meios logísticos, em especial nas provas de estrada, que anualmente a FPC contabilizasse quanto gasta o ciclismo, na totalidade das suas provas no setor profissional, em especial nas seguintes   rúbricas ( para depois tentar programar as provas , tendo em linha de conta os dados obtidos )  :

  • Policiamento e neste, o despendido com GNR e PSP , separadamente.
  • Arbitragem, incluindo nesta a chamada moto-informação, moto ardósia e serviço eletrónico de classificações.
  • Serviço de bandeiras amarelas.

E seria importante, para que, em tempo futuro, se possa configurar um novo ciclismo, baseado numa maior economia.

O ciclismo é uma modalidade cara, e o ciclismo tem de gerir melhor os seus meios, impor novas regras, que possam conduzir a uma maior economia de gastos. Difícil ?

-Talvez, mas o importante é começar, dividindo mais tarefas pelos diversos agentes, com deslocações, com estadias e reduzindo os meios , aproveitando muitas vezes recursos logísticos locais.

Em Portugal pensa-se muito em grandezas estruturais. Pódios gigantescos, centenas de metros de barreiras, onde não está público para tal aparato, mas o curioso é que a prova com melhor pelotão, a Volta ao Algarve, seja das provas nacionais mais sóbrias  neste capítulo.

Se queremos mais ciclismo, algo terá de mudar e isso, os estudos cabem à Federação, que deveria implementar uma nova política mais economicista, logo mais rentável.

JS

 

 

1 comentário a “” Cabe à Federação implementar uma nova política mais economicista, logo mais rentável “”

  1. jornal de ciclismo acha mesmo que a federação vai dar a informação relativa ao custos?
    Se der ainda se descobre os telhados de vidro com algumas empresas do sector basta seguir as provas que as caras são sempre as mesmas, alias até já á comissárias profissionais.

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