As bicicletas atropelam os automóveis

O tema da circulação de velocípedes nas estradas, onde podem andar, dá cada vez mais que falar. Sendo em número crescente os utilizadores da bicicleta, sobretudo usada como lazer, mas também como simples meio de transporte, acaba por ser natural, segundo os padrões latinos e do Sul da Europa gerar-se alguma discussão.

Ao ouvir/ler alguns comentários, ou até ver/ouvir programas de televisão ou de rádio, de audiências massificadas, fico contudo, por vezes, com a sensação de que são as bicicletas ou os peões que atropelam os carros e os automobilistas, como sabemos, com notável capacidade letal! Na estrada, não há arma maior do que um ciclista, envergando um fato de licra e um capacete de esferovite tratada.

Mas não será por isso, ou então por isso, por essa potencial arma que é a bicicleta, que se deverá deixar de falar ou ensinar regras de circulação aos ciclistas, nomeadamente, aos que competem nos escalões de formação.

E se sabemos que os automobilistas são, comprovadamente, cada vez piores, também devemos considerar que há uma grande desinformação, ou desinteresse, no seio dos praticantes de ciclismo, em relação à circulação de bicicletas na estrada.

Quase todos os dias, ora por negligência, ora por desconhecimento, ora, às vezes, de propósito, vejo graves falhas na circulação dos velocípedes, sem motor.

Mas também é certo que, entre os automobilistas, devemos considerar que a grande maioria das vezes há um desconhecimento brutal, muitas vezes fundado em quase mitos, ou em condutores desactualizados que tiraram a carta há vinte ou trinta anos, ou pior, num fenómeno social tipicamente latino do “meu é maior que o teu”! Isto porque os mesmos que fazem peito a um ciclista, um peão ou até a uma motorizada, são os primeiros a encolher-se quando “defrontam” um camião! Não se apercebem no entanto que acaba por existir espaço para todos.

No fundo, mais do que perceber regras, o que será sempre útil, a questão consistirá mais num problema social. O respeito, ou a falta de respeito pelos outros, mais fortes ou mais fracos. E se eu me esforço por ensinar os ciclistas jovens a circularem de forma correcta e fluída na estrada, também gostaria de ver, e não vejo, o Estado, nas Escolas, ou o Automóvel Clube de Portugal, que tantas ideias limitadas e populistas tem tido sobre o tema, a ensinar os automobilistas a conviverem com outros veículos na estrada e a contribuírem para essa mesma correcção e fluídez.
Luís Gonçalves

1 comentário a “As bicicletas atropelam os automóveis”

  1. Assino na integra o texto.
    Parabéns por explicar de forma simples a realidade.

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