A ADOP E OS PROCEDIMENTOS LEGAIS

A Agência Mundial Antidopagem retirou a acreditação ao Laboratório de Lisboa, por persistirem irregularidades para com as normas internacionais que regem este tipo de laboratórios.
Reside aqui, talvez, o ponto mais preocupante da questão. As tais irregularidades haviam já sido assinaladas em Abril de 2016. Volvidos que são mais de dois anos, note-se dois anos onde, fora dos períodos de suspensão, se incluem várias análises, o grosso das infracções persiste, nomeadamente, a tão badalada falta de independência em relação à Adop e ao seu financiamento.

Acabam por ser desconhecidas, por não serem de simples compreensão, algumas dessas regras impostas internacionalmente. Mas quando se fala em falta de independência, em qualquer acto público, deveríamos sempre estar atentos, sobretudo alguma imprensa.

No entanto, sem considerações científicas que não atinjo, o que se tem visto é uma demasiada falência técnica nas regras procedimentais. Desde recolhas de amostras completamente anti-regulamentares (nem que seja momentaneamente, deixar amostras de sangue, ao Sol, em Agosto… por exemplo; ou recolhas em casas de banho de utilização comum), a notificações erradas (convinha que o gabinete jurídico tivesse mais interesse em saber quais são, de facto, os clubes dos atletas quando notificam as irregularidades…), passando por controlos desnecessários, ou lapsos nos passaportes biológicos, ou pior, porque muito visível, quererem fazer mega-operações sem terem capacidade de pessoal para isso, com notável desprezo pelos direitos dos desportistas em competição, vê-se, infelizmente, de tudo. Veja-se que a falta de pessoal vira-se contra a própria Adop porque com menos gente acaba sempre por existir mais facilitismo nas recolhas.

Naturalmente que as coisas vão passando porque não há capacidade financeira para a queixa, o sistema de defesa do atleta é demasiadamente dispendioso e burocrático e, como em outras actividades, há alguma cultura de receio de represálias futuras, ou simplesmente desinteresse.

Mas para que não restem dúvidas, não há análises em Lisboa, mas a luta contra o doping continua em Portugal. No contexto, obviamente que defendo o controlo dos atletas, de todas as modalidades, da forma mais igual que a desigualdade permite. Estou é farto de ver irregularidades procedimentais no ciclismo. E se uma irregularidade dessas (não ter enviado uma AUT em tempo útil, enviar incorrectamente o formulário de localização ou estar na casa de banho na hora errada) pode valer suspensões pesadas aos ciclistas, também acho que não devemos branquear as irregularidades da Adop, nos actos de controlo, nomeadamente em relação ao seu secretismo.

Talvez fosse também útil, para além da boa informação médica que existe nos contactos que efectuamos com a Adop, existisse também uma boa informação procedimental que, diga-se, é praticamente nula.

O que se pretende, o que pretendo, é um controlo rigoroso e sem falhas, ou com o mínimo possível. Aí sim “dura lex, sed lex”. A lei é dura, mas é lei. Para todos!
Luís Gonçalves