Definir regras e mudar comportamentos

As mais recentes exposições dos principais elementos da estrutura da Federação revelam alguma abertura a ideias mais condizentes com a nossa realidade.

Embora se considere existir muito por fazer e bastantes pontos a melhorar ou ideias a rever, terá sempre de se começar por algum lado. No contexto, é de facto preocupante, a escassez de equipas verdadeiramente Sub-23, que formem, com o tempo e a paciência necessária ciclistas realmente Sub-23, ponto claramente prejudicado, sob várias formas, com a criação das equipas Sub-25 no inicio da época vigente. Mais preocupante se torna a questão quando, dos cerca de oitenta Juniores que mudam de escalão, provavelmente, uns 30 ou 40 mereciam oportunidade no escalão superior, onde, como é visível, não existirá escoamento para todos.

Será portanto saudável, como forma de enquadrar muita desta gente, a tal criação do escalão de Esperanças, que poderá envolver Juniores e Sub-23. Mas se a medida parece boa, também não convirá exagerar desta convivência. Ou seja, estas provas serão positivas desde que pontuais e adaptadas o mais homogeneamente possível às características de todos os participantes. Há portanto, ainda, um caminho regulamentar e de definição de regras algo longo a percorrer. Mais do que isso, convém que as medidas expostas não passem apenas de ideias.

Mudando de assunto, mas sem um desvio muito grande, se há questão que preocupa todos os envolventes do ciclismo, ano após ano, é a de escassez ou pouca uniformidade do calendário. Se a Federação se tem claramente envolvido no assunto, às vezes bem outras vezes mal, também não podemos deixar de considerar que na questão existem muitas mais vontades que podem ir desde as equipas, passando essencialmente pelo organizador, mas também pelos ciclistas.

Se os elementos federativos até farão alguma pressão para uma organização diferente no calendário, continuamos, entre outras coisas demasiadamente reféns da Volta a Portugal e do seu final ou de estruturas organizativas que funcionam de todas as maneiras menos numa junção de esforços.

Mas se os principais intervenientes do processo acabam por ser as organizações e a Federação, também não devemos esquecer o comportamento de alguns ou da maioria dos ciclistas.

Como sabemos, recentemente, Thomas de Gendt e Tim Wellens, no final do Giro da Lombardia, fizeram as suas malas, colocaram-nas nas bicicletas e ala para a Bélgica, num percurso de 1200 Km. Dizem eles, como uma forma de se divertirem em cima da bicicleta. Thomas de Gendt, terá cem ou mais dias de corrida este ano! Por cá, alguns dos ciclistas mais conhecidos, com bem menos dias de corrida, depois da Volta, ainda com algumas provas por disputar, embarcam imediatamente de férias, dispostos apenas a publicar as fotos do seu regalo no facebook. E se os artistas, porque estão mal habituados, não querem, também não se monta o circo.
Luís Gonçalves