Federação no bom caminho – categoria de Esperanças a grande novidade em 2019

Delmino Pereira tem sido, ao longo dos seus dois mandatos, como responsável máximo da FPC, um presidente itinerante, buscando ideias, discutindo projetos, procurando um rumo que, por vezes , é difícil de atingir, pelo menos no que poderemos classificar de ideal.

Costuma-se dizer o ótimo é inimigo do bom, e de facto os problemas com que a modalidade se debate são múltiplos e em várias frentes. Hoje, numa reunião com clubes do norte do país, na área da estrada e BTT, a plateia era numerosa , as ideias foram surgindo e o plano estratégico da FPC para a próxima temporada começa a alinhar com as necessidades de um ciclismo típico dos países emergentes, com dificuldades de integração com o centro da Europa, devido aos muitos kms que nos separam do epicentro do ciclismo europeu. temos pois, que nos adaptarmos e regulamentarmos o nosso próprio ciclismo.

Ao longo de muitos anos cansamo-nos de ouvir ” a UCI não permite”, hoje parece que este chavão, que tanto tardou em desaparecer, já não é tido como fundamental. O nosso ciclismo necessitava de um arranjo, de aproveitar o que de melhor tem na formação, para dar seguimento futuro.  Em 2019 cerca de 80 ciclistas juniores acabam a sua permanência neste escalão, desses  provavelmente trinta terão cabimento em qualquer equipa sub-23, só que não existem equipas suficientes para os acolher na sua longa caminhada rumo ao profissionalismo.

Hoje a FPC deu a conhecer a sua disposição de, em 2019, criar uma categoria intermédia em que juniores e sub-23 possam competir a sério, numa nova categoria, ou plataforma de acesso a outros níveis e que se irá denominar Esperanças, e que conta para já, com quatro provas, e pelo menos uma mensal que agrupará um numeroso pelotão e coloque em competição o que de melhor tem o nosso ciclismo.

Mais, a FPC estará na disposição de fazer alinhar duas seleções juniores na Volta a Portugal do Futuro de sub-23, contribuindo desta forma, para uma franca e salutar evolução dos ciclistas juniores.

Está de parabéns a FPC pela oportunidade que dará a muitos jovens sub-23 de poderem continuar a sua formação, e de poder contribuir para uma maior evolução dos ciclistas juniores . Estamos certos de que esta abertura federativa terá sido uma das melhores soluções para um novo caminho e um novo ciclismo, para o qual necessariamente ainda teremos de percorrer, com muitos Prémios de Montanha pelo meio, muitas quedas, mas o que é mais importante é aprendermos a levantarmo-nos . E este parece ter sido o caminho trilhado e ainda bem , em especial para muitos jovens que poderão continuar a usufruir do gosto de pedalar.

 

1 comentário a “Federação no bom caminho – categoria de Esperanças a grande novidade em 2019”

  1. O problema está no ciclismo profissional Português, se é que lhe podemos chamar de Profissional.

    No campo teórico pode parecer uma ideia interessante mas só mesmo no campo teórico.

    Obstáculos na minha opinião:
    – Os juniores têm andamentos na bicicleta limitados por força de não prejudicar o seu crescimento natural enquanto seres humanos, ou seja, por cada pedalada não pode a bicicleta dar mais do que 7,93 m (52×14) art.º 2.2023 do RGCT.
    – As quilometragens permitidas são bem diferentes sendo a máxima para os juniores de 140 km art.º 2.3.002 do RGCT.

    Bem sei que estas duas questões são no papel fáceis de se ultrapassar bastando para isso alterar o regulamento.

    Mas peguemos no exemplo das nossas corridas dos chamados profissionais ondem correrem as equipas Continentais (apelidadas de profissionais) com as equipas de clube (vulgo sub 23) onde os andamentos dos seus atletas é substancialmente diferente o que provoca diferenças de tempo consideráveis entre eles e relevantes problemas de segurança dos corredores e um transtorno enorme no trânsito.

    Quer-me parecer que esta medida visa no curto prazo arranjar um analgésico para a falta de corredores na Volta a Portugal do Futuro, por favor não tentem tapar o Sol com a peneira.

    A solução passa por exemplo a que haja provas da Taça de Portugal exclusivamente para equipas de clube e que se acabe de uma vez por todas com a “”palhaçada”” actual das provas da Taça de Portugal onde correm todos juntos.

    Se não há condições para haver equipas profissionais em Portugal paciência, temos pena mas por favor parem de “transvestir” o Ciclismo Português ou será que ainda não aprenderam com os erros do passado recente?

    Muito mais se poderia dizer para rebater esta solução mas iria tornar este meu comentário tão extenso que ninguém o iria ler.

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