O Mundial de Outono

 

Embora ainda faltem alguns dias, para que não nos esqueçamos, porque depois de todas as emoções de uma época quase finda é essa a nossa tendência natural, será útil realçar que ainda falta disputar um dos cinco monumentos, o Giro di Lombardia, ou simplesmente, Il Lombardia.

Tradicionalmente disputada no início do Outono, e por isso, a clássica das folhas caídas, foi durante bastante tempo também vista como o mundial de Outono, recuando a uma altura em que os campeonatos do mundo surgiam mais cedo na época.

Prova com acentuado domínio italiano, como é habitual em qualquer prova italiana, pelo menos nas mais antigas, porque na jovem Strade Bianche contamos apenas um sucesso italiano, disputa-se na zona envolvente a Milão, começando por se chamar em 1905 de Milão-Milão, prova que terá surgido em rivalidade com a já então existente Paris-Tours. Apesar disso, competições com características diferentes, para tipos de ciclistas diferentes.

No acentuado domínio italiano devemos referir os anos 20 de Alfredo Binda, mas sobretudo as décadas 30/50 de Gino Bartalli e Fausto Coppi, este, recordista de vitórias na prova, com cinco triunfos, quatro dos quais seguidos. Em anos mais recentes também Vincenzo Nibali somou duas vitórias.

Este duro “mundial de Outono” é normalmente visto como a prova de estreia do novo campeão do mundo. Mais do que isso, muitas vezes, é entendido, dependendo do percurso do campeonato do mundo, como a confirmação da boa forma do novo campeão do mundo, ou, como uma forma de contornar uma má prestação ou um resultado desanimador no campeonato do mundo.

Tendo em conta o percurso dos mundiais deste ano, talvez as subidas da Lombardia, encabeçadas pela célebre Madonna del Ghisallo, nos dêem um vencedor de características semelhantes. São poucos os campeões do mundo que, posteriormente, e no mesmo ano, venceram na Lombardia. Binda, Gimondi, Bettini, Camenzind, Saronni, Tom Simpson e Merckx. Não será preciso usar muito a imaginação para dizer que Valverde, que já fez pódio nesta prova, pode juntar o seu nome a mais um feito. Para que não restassem dúvidas também seria o “campeão do mundo de Outono”!
Luís Gonçalves