O exemplo da Volta à Colômbia deu-nos que pensar. É certo que, em Portugal, os nossos dirigentes não têm essa coragem, mas é preciso começar a pensar a sério no assunto

Poder-se-á  subentender face à inconstância competitiva da Vuelta, que a prova perdeu impacto ou, que tenha mesmo perdido o seu charme e entusiasmo.

A Volta à Espanha é isso mesmo, uma prova de um país e cujos habitantes gostam de ver  na frente da corrida os seus compatriotas. O entusiasmo popular pela Vuelta ganhou força, com a “tomada” da liderança por um ciclista da casa, pouco conhecido entre os “paisanos”, e em especial pelo triunfo de Oscar   Fernandez que vai trazer, daqui e até ao final, milhares de bascos para as estradas da Vuelta.

O ciclismo é isto mesmo, entusiasmo popular, e não o ciclismo dos milhões, descaraterizado, que não aglutina paixões, altamente comercializado. Em Espanha assiste-se, nas ultimas etapas a um  voltar ao passado, em que em Espanha ganham os espanhóis, correm os espanhóis, na Itália os italianos e assim sucessivamente. Ter uma Vuelta como tínhamos em anos passados com duas ou três equipas  da casa desmotivou o público, e os adeptos,  agora com mais equipas parece quererem reconciliar-se com a modalidade.

Mas este intróito serve a contento para a nossa Volta a Portugal, com as suas dez equipas que entusiasmam o povo e que deliram com os triunfos dos portugueses. Ter uma Volta de sete dias, só para trazer meia dúzia de estrangeiros que ninguém conhece, é mau. Por isso é bom que se comece a pensar, a médio prazo , como dar a volta a esta problema, de forma a manter a tradição e o fervor do povo pela nossa Volta. O exemplo da Volta à Colômbia deu-nos que pensar. É certo que, em Portugal, os nossos dirigentes não têm essa coragem, mas é preciso começar a pensar a sério no assunto.

JS