A Vuelta de Jan Ullrich

Com o fim da Volta a Portugal, esgota-se algum interesse nacional na modalidade. Para a grande maioria da população até só existe a Volta, o que gera até alguns factores de incompreensão por quem anda de bicicleta nesta altura em certas zonas do país menos habituadas a ver ciclistas. Afinal de contas, já não é preciso “treinar” para a Volta a Portugal!

Contudo, para os que vêem ciclismo o ano inteiro, há ainda muito para assistir. Com relevância próxima vem aí a Vuelta.

Dizem alguns que é o patinho feio das três grandes voltas. Por outro prisma, quem não desejaria ser esse patinho feio? Não consome tudo em seu redor, como o Tour, que nos faz parecer que durante aquelas três semanas só existe a corrida francesa. Partilha cada vez mais popularidade com a Volta à Grã-Bretanha, por exemplo, numa prova que este ano reúne as duas grandes atracções do momento, Froome e Thomas. Mas a Vuelta, não deixa de ser a Vuelta, um prémio apetecido e desejado por qualquer ciclista, da geral, às etapas. Será sempre um marco na carreira de qualquer um, as mais das vezes, dos ciclistas de topo.

Desses, Jan Ullrich, venceu em 1999. A vida do alemão não tem sido fácil. Seria relativamente simples criticar todos os seus procedimentos negativos. Mas para quem começou, ainda, no duro regime da Republica Democrata Alemã, sujeito a métodos e pressões que não imaginamos, alguma condescendência deverá pontuar ao nosso julgamento.

Com um palmarés versátil e ao alcance de poucos, travou heróicas lutas com Pantani (que não aguentou as pressões do mundo…) e sobretudo com Armstrong. Foi sempre coerente e leal em relação a este, características que não abundam no género humano. Talvez também por isso tenha merecido a sua recente visita em momento difícil.

Na primeira versão do Cyclingmanager (jogo de ciclismo), a única que me dei ao trabalho de jogar, Ullrich era sempre o meu ciclista. Confesso que um pouco o anti-Armstrong, há altura! Por isso, com o aproximar da Vuelta, não posso considerar melhor entregue a Vuelta de 1999.
Luís Gonçalves