Forças policiais rivalizam mais entre si, que o FCP e o Sporting rivalizaram na Volta

Um comentário do nosso amigo Paulo Pais mereceu-nos uma atenção especial, no que diz respeito, ao trabalho e funções das forças policiais, bem como das motos que estão em serviço, nomeadamente, numa prova como o Tour de França.

No nosso país, o trabalho efetuado pela GNR tem-se vindo a especializar em termos de segurança de eventos desportivos, realizados na via pública, disso sendo prova, o destacamento de uma força da GNR, para acompanhamento das principais provas do calendário nacional, de forma a obter um trabalho final mais elaborado. Esta inovação permitiu uma maior experiência, por parte destes agentes, que se veio a refletir num melhor desempenho, na Volta a Portugal.

A Volta à França é o maior evento desportivo do mundo, sendo acompanhado por uma força motorizada de 30 motos da Garde Republicanie, que têm como missão a segurança da prova, sendo também responsáveis pelo trabalho que, em Portugal, é feito pelos bandeiras amarelas, isto é, prevenir os perigos.

É certo que, em França, as estradas estão fechadas, e as provas são em disputadas em estradas regionais, atendendo à enorme vitalidade da sua rede viária, que obrigava os franceses a consultarem os “velhos” mapas, para onde quer que fossem.

Em Portugal, e comparativamente com o Tour, a força policial é mais que suficiente, tendo em linha de conta, o facto de ser a prova que os portugueses mais respeitam em termos de tráfego.

O problema do policiamento das provas de ciclismo no nosso país, tem a ver, nos últimos anos, com um aumento excessivo dos custos de policiamento, que transformam o que deveria ser um serviço público, no exercício de uma actividade muito semelhante a uma empresa do domínio privado.

E não vamos escalpelizar . Mas se a GNR cumpre a sua missão com resultados extraordinariamente positivos, a sua experiência, o pundonor dos seus homens, outra força policial , que nem complementar ao trabalho efetuado pela GNR se pode assim definir, usa e abusa nos custos que imputa a um evento disputado na via pública.

Referimo-nos, como é  óbvio à PSP,  e felizmente que não existem mais forças policiais, independentes, e que rivalizem entre si, talvez mais que a W52-FCP e o Sporting rivalizaram na Volta a Portugal.

Na passagem das zonas urbanas, é ver a PSP com as suas motos a fazerem escolta aos seus colegas da GNR, como se estes não soubessem o caminho   . É ver como estradas sem saída, saídas de supermercado, acessos à via da prova com sentido proibido estão policiadas por estas diligentes forças de segurança.

Contudo, anos antes, quando estas forças policiais não eram pagas para este tipo de serviço, os perigos não existiam, e era raríssimo descortinarmos um agente onde quer que fosse.

A falta de  bom senso e o sentido de responsabilidade ficaram bem expressos, quando há dois anos, no Prémio do Dão, as forças da PSP impediram a GNR de entrar na cidade e fazer o seu serviço como devia ser. Colocando-se na frente da corrida, com as suas sirenes estridentes, enganaram-se e continuaram na frente , a abrir caminho a nada. O pelotão tinha parado, pois os batedores desapareceram da sua vista . Um  polícia que ali estava de serviço apeado, quando questionado para onde a prova deveria seguir, afirmou apenas: não sou de Viseu, vim de fora e estou apenas neste cruzamento .

O curioso é que o Diretor da Corrida não podia comunicar com o comandante da PSP, pois este não tinha nenhum rádio da prova .

A falta de responsabilidade e do conhecimento dos trâmites de realização de uma prova, que colocou o chefe da PSP sem uma comunicação com o Diretor da prova, para casos urgentes e informações que são importantes para as duas partes, ditaram o desfecho final de uma prova que deixou de existir, por uma grave negligência da PSP.

Às portas da cidade de Viseu, os homens da GNR encostaram as suas motos, como se fossem rendidos pelos polícias espanhóis, numa qualquer prova transfronteiriça. Isto sim, meu caro Paulo Pais é um problema grave e de difícil solução,  apenas porque estão em causa as tão famosas ajudas de custo.