Uma volta à Volta

Terminada a Volta a Portugal será a hora de um balanço, que na generalidade se pode considerar  bastante positivo.

Joaquim Gomes , principal responsável, pelo percurso e alinhamento da corrida, pode suspirar de alívio, pois ao longo dos 11 dias de prova não houveram casos que pusessem a organização em situações  embaraçosas . Quanto ao percurso, foi dos melhores dos últimos anos, e se houve alguma falta de competitividade, isso não se pode assacar ao Organizador. Contudo, há três pontos que talvez mereçam um reparo:

1º A travessia do Alentejo, a famosa ida ao sul do país, não foi assim tão bem conseguida quanto se esperava. Pouco público, excessivo calor e neutralizações em demasia.

2ª Etapas com demasiada quilometragem, que limitam o grau de competitividade. Já não se usam tantos quilómetros, para tão poucos ciclistas.

3º Uma melhor escolha dos percursos dos C/R, o último então, foi mau demais para uma prova com a dimensão da Volta a Portugal.

Se a Organização da Volta esteve bem, na arbitragem nem tudo foi um mar de rosas. Na verdade, não chega ter um bom Presidente do Colégio de Comissários, se o resto da equipa não tem a experiências suficiente para arbitrar uma prova desta envergadura. Bem sabemos que é um problema antigo, mas na Volta exigia-se algo mais. Um ponto importante para a FPC resolver, em termos de futuro.

A Brigada da GNR era demasiado numerosa para poder eventualmente ter algum problema. Na verdade, a força policial era excessiva, se tivermos em linha de conta que é complementada por uma “frota” de motos  bandeiras amarelas de grande experiência. Fazendo parta da Volta, ficou muito mal , por exemplo, às forças da ordem serem as primeiras a abandonar o alto da Senhora da Graça. deixando as equipas à mercê do trânsito.

À  animação da Volta exige-se mais, maior criatividade, inovação e uma verdadeira animação.  Não sabemos se é uma empresa que superintende nesta matéria, mas é confrangedor ver-se o que se pode fazer com tantos meios, se bem aplicados . Dá a ideia que é tudo  meia bola em força, recorrendo-se a um modelo de animação já ultrapassado. Novas ideias, talvez novos intervenientes sejam necessários para que a Volta seja uma verdadeira festa popular itinerante.

A estrutura da Volta é grandiosa, poucos são os que imaginam a quantidade de camiões, barreiras, estruturas que diariamente são montadas, por exemplo,  perto de 2500 barreiras, o que permite vedar os últimos dois mil metros de cada etapa.  Neste capítulo, melhor que a nossa Volta, só o Tour.

A transmissão televisiva  da Volta necessita de um revigoramento, de uma  inovação. Dá a ideia que a transmissão da Volta serve para dar força às transmissões Pimba, que tanto caraterizam este tipo de programas domingueiros, das diveras estações televisivas. Precisa de viva, de nos acordar de quando em vez, de saber os períodos em que deve ir para intervalo, por exemplo. Necessita de um novo alinhamento para a jornada de apresentação das equipas, tornar o dia mais atrativo. Necessita de dar a conhecer as equipas nacionais.

O problema é que a RTP tem uma equipa fantástica de jornalistas que gostam da Volta, que já sabem de ciclismo , que gostam de ciclismo, e que podem e devem fazer melhor.

Foto de Volta a Portugal.

No capítulo desportivo ontem já falamos no assunto. Foi uma prova, face ao percurso, pouco emotiva, poucos ataques, e uma supremacia muito grande do FC Porto face aos seus rivais. Dos sete ciclistas azuis e brancos, três foram fundamentais no rendimento da equipa :

Gustavo Veloso, Ricardo Mestre e o surpreendente João Rodrigues, e os três nos momentos difíceis chegaram e sobraram para as encomendas.

O Sporting pode-se queixar dos problemas físicas dos dois espanhóis da equipa, um dos quais abandonou logo na primeira etapa, e com Trueba a nunca recuperar. Tiveram sintomas febris, numa reação ao calor do início da Volta. Mas, por exemplo, Rinaldo Nocentini foi um peso morto da equipa, e isto refletiu-se ao longo da prova.

As restantes quatro equipas nacionais profissionais foram muito iguais entre si. Cada uma à sua maneira tentou fazer o melhor, mas nenhuma delas ousou afrontar a liderança da corrida.

Já as três equipas nacionais de sub-25 demonstraram alguma fragilidade, em termos de terem ciclistas, como sempre houve em anos anteriores, no ciclismo nacional, capazes de discutirem o Prémio da Juventude.  César Martingil, obrigado a desistir por uma queda, foi talvez a maior surpresa.

Foto de Volta a Portugal.

E pronto a Volta terminou da melhor maneira. Com constantes banhos de multidão. Com muito entusiasmo, e para nós essa foi a maior vitória da Volta a Portugal.

 

 

 

1 comentário a “Uma volta à Volta”

  1. Boa tarde,
    Posso de facto concordar com alguns dos pontos referenciados, noutros nem tanto.
    Principalmente no que toca à segurança da prova por parte dos elementos da brigada da GNR, se não vejamos:
    1° – o número de elementos do dispositivo da GNR na volta a Portugal sempre foi o mesmo desde sempre, e pelo que vejo nas restantes voltas por esse mundo fora, deve ser a que menos elementos policiais tem.
    2° não se pode comparar nem substituir o serviço da GNR com os bandeirinhas e o facto de referir isso demonstra algum desconhecimento sobre a organização de uma prova de ciclismo ou apenas má fé! A GNR garante a segurança dos elementos dentro da caravana, os bandeirinhas incluídos, enquanto que a finalidade dos bandeiras amarelas é sinalizar perigos e o percurso.
    3° os elementos da GNR são requisitados pela organização da prova para garantir a segurança dos ciclistas não para desembaraçar trânsito às equipas, em que terminando as etapas são apenas mais uns utentes da via como qualquer outro cidadão.
    Acho que seria importante, por parte do editor, antes de tecer comentários que pretendem denegrir sem qualquer fundamento válido, mostrando incompetência, ignorância ou pior apenas má fé, pensar que está a atingir militares que revelaram extrema competência, dedicação e sacrifício para que a prova ocorresse sem qualquer incidente e os ciclistas fossem os protagonistas desta festa que é a volta a Portugal.
    Os melhores cumprimentos,
    Paulo Pais

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