Lappartient muito contestado nas suas ideias

A regulamentação imposta pela UCI de oito em vez de nove ciclistas por equipa nas três grandes Voltas, parece que não foram suficientes para o resultado  pretendido: Por isso o presidente da UCI, David Lappartient,  que considerou o  Tour de France pouco atrativo  e previsível, com um supremo Team Sky a dominar em toda a linha, propõe-se revolucionar o mundo velocipédico.

O francês continua a atacar e quer romper essa hegemonia com duas inovações: equipas ainda menores e “fair play financeiro”. Os ciclistas, no entanto, já responderam de forma contundente .

A  Sky esteve no pódio  com dois ciclistas:  Chris Froome e Geraint Thomas . E embora a semana final ainda tenha proporcionado algum espetáculo,  não foi suficentemente emocionante para o “mandão” da UCI.. O Team Sky é muito forte e  David Lappartient quer subverter todo um passado do ciclismo, como desporto de equipa, para passar a ser um desporto cada vez mais individual.

Se os telespetadores só vêm os oito ciclistas da Sky na frente do pelotão a ditarem as suas leis e a bloquearem a corrida, cabe à UCI mudar as regras do jogo, e tornar o ciclismo mais atraente”– afirmou ao jornal suíço Swiss Le Temps Lappartient

Este ano a composição  das equipas foi reduzido de nove para oito pilotos. Temos que ir aos seis ciclistas,  porque esta medida é realmente eficaz. Ficam  apenas cinco ciclistas  para apoiar o líder. Ao mesmo tempo, podem participar mais equipas  e formar-se um pelotão de tamanho respeitável “. O Presidente da UCI foi mais longe e disse:

– “Temos que examinar todos os aspectos da corrida. Temos que proibir os intercomunicadores que cortam a iniciativa dos ciclistas? Temos que proibir os medidores de energia que acompanham os ciclistas . Temos que rever o formato das etapas. Temos que analisar tudo “.

                                         “Fair play financeiro”

No entanto, a grande crítica ao Team Sky é o poder do dinheiro. Afinal de contas, eles têm os meios financeiros para  terem os ciclistas que quiserem. Poderia um “fair play financeiro” oferecer uma solução ? À  pergunta do jornalista a resposta foi taxativa:

“Sou contra um limite salarial individual”, diz Lappartient. “Se uma equipa quiser pagar 8 milhões de euros por ano, a um líder. não há problema. Mas acho que podemos regular os salários totais das equipas, a fim de garantir um melhor equilíbrio. Hoje, a Team Sky tem com Geraint Thomas, Chris Froome e Egal Bernal três ciclistas que podem ser o primeiro, segundo e terceiro no Tour . No entanto, é melhor para o ciclismo que os melhores ciclistas estejam distribuídos por várias equipas  Tal como acontece no  Giro: porque muitas vezes os melhores ciclistas  são poupados para o  Tour , os líderes têm equipas mais fracas, e torna-se numa batalha um contra um.”

                                                 Ciclistas  já reagiram

Entre outros, Thomas De Gendt já reagiu fortemente às propostas do Lappartient. O holandês deu piadas irónicas: às sugestões apresentadas  :

Etapas de 65 km, campos de treino  são proibidos, proibir os  jantares, apenas dois bidons de bebida por dia, só  2.000 calorias por dia, os ciclistas não podem exceder 20 segundos na roda, apenas quatro andamentos  são permitidos. Abolir os travões, uma grelha de partida como a Fórmula 1 todos os dias e spray de pimenta para cada partida “.

A reação de  Michal Kwiatkowski foi ainda mais notável: “O domínio de Sagan é excitante. O domínio do Quick Step nas clássicas é empolgante. O domínio da BMC no contra-relógio por equipas  é empolgante. O domínio do Team Sky nos grandes Tours é chato, então vamos reverter completamente o ciclismo … “