Rafael Reis primeiro amarela

Dir-se-ia que foi mesmo um prólogo, uma espécie de prefácio muito curto de uma obra literária. Na verdade, os 1800 metros do delimitado percurso , apesar de curto, tinham perigos, talvez bem mais numerosos, que o prólogo do ano transato em Lisboa, com perto de sete kms.

Duas curvas perigosas, uma delas a meio da prova com água, que aumentou consideravelmente o perigo. Depois duas lombas que cortavam o ritmo, e provocavam alguns problemas. Algumas quedas, bastante numerosas, para considerarmos normal, em termos estatísticos, foram a prova cabal dos perigos dos curtos 1800 metros.

O que queremos dizer com isto ? Que de facto a autarquia local podia e devia ter dado um arranjo ao percurso, que o problema da água na curva para a meta,  deveria ter sido solucionado.  Quando uma prova como a Volta a Portugal atinge a dimensão nacional, que felizmente ao longo de muitos anos conseguiu granjear, há que procurar limar todas as arestas.

Bom,o prólogo estaria destinado mais a velocistas, dada a sua curta quilometragem, dadas as suas caraterísticas técnicas, um sprinter domina melhor a bicicleta e é mais arrojado, por isso não foi de espantar que, durante grande parte desta jornada inicial, foi mesmo ao cair do pano, que César Martingil ( Liberty Seguros) cedeu a sua cadeira do trono, a Rafeal Reis ( Caja Rural), um ciclista da região, um excelente contrarrelogista, e especialista de cronos mais curtos.

As diferenças de tempo foram pequenas, mesmo assim alguns favoritos perderam para o vencedor cerca de 15 a 20 segundos, mas entre eles, os favoritos, as perdas foram insignificantes. Notou-se nos tempos finais, que a grande maioria dos candidatos ao triunfo preferiu não arriscar:  ganhar alguns segundos ou deitar tudo a perder, a primeira opção foi a que a grande maioria decidiu adotar.

Como exemplo, veja-se que a W52-FCP tem em João Rodrigues, na 41ª posição o seu melhor elemento, no final do prólogo.

Por isso, este prólogo pouco ou nada deu de indicações para futuro, e só amanhã se poderá começar a ver como estão as vedetas do pelotão.

São 191 kms que irão levar o pelotão ao Algarve, com o presidente do Colégio de Comissários a poder mexer na corrida, pela força dos regulamentos, em caso de temperaturas, negativas ou positivas, que possam colocar em causa a integridade física dos ciclistas.

Uma etapa que pode ser um suplício para quem não estiver preparado para o calor, não sendo previsível a existência de ventos, que podem ser outro problema acrescido, numa chegada sempre problemática , em  Albufeira, onde o pelotão costuma esticar a partir-se em vários grupos. e onde se podem verificar maiores diferenças de tempo, que as verificadas hoje.

Sem bonificações, é bem natural que a equipa da Caja Rural queira assumir o controlo do pelotão. permitindo ao seu ciclista andar, pelo menos, mais uma jornada de amarelo, até Portalegre, pois a partir desta cidade, as coisas começam a ser mais sérias.

Rafael Reis é o camisola amarela, e César Martingil não perdeu tudo, lidera a classificação da juventude, eles  foram, sem duvida, os homens do dia.

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