Do sucesso do GPPN2 ao contra ataque da Sky

O Grande Prémio Nacional 2 saldou-se pelo sucesso. Apesar de jovem, uma boa organização, que colocou gosto e deu boa imagem às zonas de partida e sobretudo às de chegada, dando a dignidade que a modalidade merece.

Na estrada, a corrida habitual, com um vencedor praticamente anunciado à primeira etapa, mas com saudável divergência de sucessos em todas as etapas. Localidades acolhedoras, de pequena dimensão, excluindo Chaves e Faro, deram uma verdadeira imagem abrangente, integradora de todo o território e popular do ciclismo, cada qual, tentando aproveitar ao máximo o seu potencial turístico, algo que está na génese do projecto.

Embora as imagens da transmissão televisiva nos chegassem aos soluços (os meios eram parcos e não traziam as vantagens do sinal revelado com o apoio de meios aéreos) não deixaram de servir o propósito turístico e de ser uma boa propaganda para a modalidade, tão necessitada que é de publicidade.

Embora as diferenças logísticas e de transmissão sejam óbvias, comparando por exemplo com a RTP e a Volta a Portugal, onde ainda se nota mais diferença é nos meios humanos. Os jornalistas e demais staff da RTP estão bem mais habituados a estas andanças, revelando pormenores de conhecimento da modalidade bem maiores. Notou-se contudo, no terreno, uma certa melhoria à medida que os dias iam avançando, o que só se pode relatar de positivo porque, enfim, perguntar a um ciclista no fim da etapa se tinha custado muito fazê-la e se a paisagem era bonita, digo eu, não terá muito interesse para a modalidade em si.

O projecto é bom e tem pernas para andar. Revela-nos também mais uma hipótese organizativa. Veremos o que o futuro nos dirá.

Pelo presente, e mudando de ares, o director da Sky lança uma hipótese, ou uma farpa, indicando que os franceses podem fazer um Tour só com equipas francesas. As notícias de nomes feios, agressões, apupos, assobios, líquidos e cuspidelas aos ciclistas, mas também aos restantes membros do staff da Sky, parecem fazer transbordar o copo. Para além da estrada, também se luta na comunicação social.

Embora nunca se deva tomar a parte pelo todo, o certo é que os franceses, não têm dado uma boa imagem de desportivismo ao mundo, não só no Tour, mas até nos festejos do merecido título mundial de futebol.

Por curiosidade dizia-me hoje um ciclista da nossa praça acerca da exclusão do Moscon: “O gajo já tem antecedentes e não devia ter feito aquilo, mas já viste que nestas coisas está sempre um francês metido ao barulho…”. O italiano não precisa de muito para ferver, mas também não sabemos nós a que limite chegou Moscon.
Luís Gonçalves